<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898</id><updated>2012-02-16T18:15:26.762-08:00</updated><category term='conto'/><category term='machete'/><category term='acari'/><category term='projeto'/><category term='Novos membros'/><category term='discussão'/><category term='impressões'/><category term='Oficinas'/><category term='erudito'/><category term='reunião'/><category term='popular'/><category term='apresentação'/><category term='poema'/><category term='evento'/><category term='crônica'/><title type='text'>Machado Vivo</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_IwK76splDDQ/So8hQvEURzI/AAAAAAAADdQ/fmhUUJBlTas/S220/IMG_8013.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>29</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-2480809547756788212</id><published>2009-08-21T18:51:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T18:53:58.818-07:00</updated><title type='text'>Debate literário na Internet</title><content type='html'>Oi, pessoal, há um site novo que tem um clube do livro muito interessante, com o escritor Milton Hatoum como mediador. Cada obra é debatida durante 6 semanas, a partir de temas propostos pelo mediador (p.ex. personagens, tempo da narrativa etc). O primeiro livro é o ótimo (na minha opinião) &lt;em&gt;Leite derramado &lt;/em&gt;do Chico Buarque. Acho que vale a pena dar uma olhada: http://www.conhecaolivreiro.com.br/ClubeLivro/ &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um abração,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alvito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-2480809547756788212?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/2480809547756788212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=2480809547756788212' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/2480809547756788212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/2480809547756788212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/08/debate-literario-na-internet.html' title='Debate literário na Internet'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_IwK76splDDQ/So8hQvEURzI/AAAAAAAADdQ/fmhUUJBlTas/S220/IMG_8013.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-8703382097084986302</id><published>2009-08-21T15:04:00.001-07:00</published><updated>2009-08-21T15:10:54.839-07:00</updated><title type='text'>A melancolia do violoncelo</title><content type='html'>Achei no Youtube uma música do discípulo Marais (ver postagem abaixo de Natália) sobre seu mestre, Monsieur de Saint-Colombe http://www.youtube.com/watch?v=2nlq69pmADo que dá uma idéia perfeita da melancolia do violoncelo... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora achei um trechinho do filme comentado pela Natália, pelo menos essa música é mais animada, mas mesmo assim parece vir das profundezas da alma como diria Inácio Ramos... http://www.youtube.com/watch?v=MoXrMOsnRVo&amp;feature=related&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-8703382097084986302?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/8703382097084986302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=8703382097084986302' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/8703382097084986302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/8703382097084986302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/08/melancolia-do-violoncelo.html' title='A melancolia do violoncelo'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_IwK76splDDQ/So8hQvEURzI/AAAAAAAADdQ/fmhUUJBlTas/S220/IMG_8013.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-1191343501794809007</id><published>2009-08-18T18:29:00.000-07:00</published><updated>2009-08-21T09:15:12.222-07:00</updated><title type='text'>Intertextualidades</title><content type='html'>...dando continuidade aos comentários de Rafael, o conto de Machado nos fez ter também alguns insights interessantes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro foi a lembrança de um livro escrito por Pascal Quignard em 1991 e adaptado para o cinema no mesmo ano, com a ajuda do autor: "Tous les matins du monde". Além de ser uma obra belíssima e erudita sobre a música, o amor, a solidão e mesmo sobre o silêncio, foi muito bem reproduzida pela linguagem cinematográfica onde os sons e as imagens despertam os sentidos que o livro sugere.&lt;br /&gt;Conta a história passada em meados do século XVII do violoncelista Monsieur de Saint-Colombe, tomado pela dor da perda de sua amada e a quem passa a dedicar toda a sua arte musical. Ao mesmo tempo emerge na cena um aluno, Marin Marais, jovem ambicioso que pretende aprender a técnica musical do mestre ambicionando tocar na côrte francesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui já aparece uma característica semelhante ao conto machadiano, onde há a idéia de uma música sagrada, produzida pela alma. No livro/filme a composição surgida da dor e do amor se opõe à música produzida pela técnica e, mesmo que esta última representada por Marin Maurais, alcance o poder, status, glória, nunca será comparada àquela composição visceral, encarnada pelo personagem de Monsieur de Saint-Colombe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa outra aproximação com o conto de Machado podemos identificar o modo taciturno, sagrado, doloroso que instrumentos clássicos como o violoncelo são representados pelo autor, mesmo pela associação que Machado faz entre o erudito e a europa, reforçando uma imagem sacra, cinza, milenar, profunda da música européia e importada para o Brasil. PS: Lembrando que tudo isso pode ser visto como uma grande ironia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vindo do exterior esta música estabelece uma contradição no personagem principal, Inácio Ramos, que aprende a tocar o instrumento erudito mas quase não consegue partilhar seu código com as pessoas à sua volta, nomeadamente com a sua mulher, encarnação do popular brasileiro: faceiro, travesso, alegre, impulsivo. Neste sentido, seria interessante continuar a leitura do conto percebendo a forma como Machado cria as oposições entre o violino e o machete ao mesmo tempo que as oposições entre Inácio/Amaral e Carlotinha/Barbosa...assunto que ficará para as próximas postagens do blog!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um segundo insight foi lembrar que o Centro de Estudo e Iniciação Musical (Ceim) da UFF está com o projeto "Ação Musical", promovendo algumas palestras sobre música erudita e que valeria à pena dar uma olhada...&lt;br /&gt;Todas as palestras e concertos são às 18h na Biblioteca Central do Gragoatá/Niterói UFF e é gratuito!!&lt;br /&gt;Algumas que talvez interessem aos leitores de "O Machete":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 19/08 – Palestra: “Tudo o que você gostaria de saber sobre música clássica e tinha vergonha de perguntar” Kristina Augustin&lt;br /&gt;Dia 26/08 – Abaruna (quarteto de violões do Ceim)&lt;br /&gt;Dia 23/09 – Quarteto de Cordas da UFF&lt;br /&gt;Dia 21/10 – Conjunto de violoncelos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-1191343501794809007?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/1191343501794809007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=1191343501794809007' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/1191343501794809007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/1191343501794809007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/08/intertextualidades.html' title='Intertextualidades'/><author><name>Anônimo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/-UQo0PNwaHDY/TV_bOrTz4eI/AAAAAAAAAHU/OWVlgqh49hU/s220/Foto%2Bperfil%2B2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-557785421447787876</id><published>2009-08-16T17:23:00.000-07:00</published><updated>2009-08-16T17:26:59.745-07:00</updated><title type='text'>Agora nossas reuniões serão na 6a. feira</title><content type='html'>Oi, pessoal, o resumo do Zacca (ver postagem abaixo) refere-se somente à primeira parte do conto "O Machete" (O cavaquinho). A segunda parte será lida na próxima 6a. feira, às 14h em alguma sala do 5o. andar do Bloco O. Este será o novo horário neste semestre: toda 6a. feira às 14h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um abraço a todos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alvito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-557785421447787876?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/557785421447787876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=557785421447787876' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/557785421447787876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/557785421447787876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/08/agora-nossas-reunioes-serao-na-6a-feira.html' title='Agora nossas reuniões serão na 6a. feira'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_IwK76splDDQ/So8hQvEURzI/AAAAAAAADdQ/fmhUUJBlTas/S220/IMG_8013.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-6063954916505688449</id><published>2009-08-15T11:44:00.000-07:00</published><updated>2009-08-16T10:47:32.558-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='impressões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='machete'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='discussão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='popular'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='erudito'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>O Machete - parte I</title><content type='html'>Com a leitura da primeira parte do conto &lt;a href="http://portal.mec.gov.br/machado/arquivos/html/contos/macn081.htm"&gt;O Machete&lt;/a&gt; chegamos a algumas discussões interessantes sobre o personagem principal Inácio Ramos, os que o cercam e o que eles podem significar. Tentarei fazer isto sem revelar muita coisa. Inácio Ramos é um santo, tanto por seus olhos cheios de vida, quanto por sua história sofrida, além de nutrir profunda admiração pela música erudita européia. Quando começou com a rabeca, sentia-se satisfeito, mas só aplacou algo que considerava interior com o violoncelo, quando viu um velho mestre alemão tocá-lo. Machado vai mostrando com suas sutilezas, com seus detalhes, um Inácio fascinado e cercado por uma cultura considerada velha e sábia, além de Bela, como aquele mestre alemão e seu violoncelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando casa-se com Carlotinha, menina cheia de vida e dotada d'outro tipo de beleza, onde talvez possamos ver uma representação daquilo que é "popular" (o diminutivo no nome não é coinscidencia), rasteiro, leve e alegre, coisa que não se enxergaria na música erudita. É necessário dizer que estamos trabalhando aqui com um senso comum que permeia uma sociedade, e não do que efetivamente são as coisas: existem músicas populares tão ou mais serias e graves que peças clássicas, assim como estas podem ser tão ou mais leves que músicas populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De qualquer modo, a seriedade e a gravidade parecem encantar Inácio, que não é capaz de compreender sua amada na totalidade com sua alma tão dicotômica; em contrapartida, a vitalidade da amada parece aos poucos curvar-se aos modos de vida do marido, mesmo que partilhe de concepções de mundo diferentes. Quanto à gravidade e seriedade de Inácio, não é a toa que tem sua primeira composição com a morte de um ente querido, não é a toa que esperava que a esposa chorasse quando ouvisse esta mesma composição ao invés de aplaudi-lo feliz e não é a toa que tenha trocado a rabeca pelo grave violoncelo, que considera a mais pura forma de expressão da alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-6063954916505688449?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/6063954916505688449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=6063954916505688449' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/6063954916505688449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/6063954916505688449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/08/o-machete-parte-i.html' title='O Machete - parte I'/><author><name>Rafael Zacca</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03052425782826462266</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-7017852907023075024</id><published>2009-08-13T06:47:00.001-07:00</published><updated>2009-08-13T06:50:19.132-07:00</updated><title type='text'>Retomada de atividades</title><content type='html'>Olá, pessoal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa semana retomaremos nossas atividades. Marcamos uma reunião essa 6ª, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;dia14 de agosto, às 14h no café da Academia Brasileira de Letras&lt;/span&gt;, que fica na Avenida Presidente Wilson, 203. Nessa reunião, começaremos a ler "O Machete" e definiremos nossas atividades para o próximo semestre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-7017852907023075024?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/7017852907023075024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=7017852907023075024' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/7017852907023075024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/7017852907023075024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/08/retomada-de-atividades.html' title='Retomada de atividades'/><author><name>Bárbara Araújo Machado.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05290580558955572315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SeppVsnwnlI/AAAAAAAAAJk/80Gfe6nHmmE/S220/cinema_ruinas.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-566999432914885952</id><published>2009-07-07T15:51:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T07:29:00.275-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reunião'/><title type='text'>Finalizando o semestre...</title><content type='html'>Na última segunda, confirmamos nossos planos para o semestre que vem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começaremos com os contos "O Machete" e "O Homem Célebre". Em seguida, leremos o texto do José Miguel Wisnik, "Machado Maxixe", que analisa esses contos. Sinalizamos ainda a possibilidade de ler o conto "O Espelho" depois disso. Durante as leituras e discussões, prepararemos as novas oficinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcamos uma reunião e para a próxima 6ª, dia 10/07, no café do Paço Imperial, na Praça XV. Vamos terminar de discutir o texto do Antônio Cândido e encerrar as atividades do semestre!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-566999432914885952?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/566999432914885952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=566999432914885952' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/566999432914885952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/566999432914885952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/07/finalizando-o-semestre.html' title='Finalizando o semestre...'/><author><name>Bárbara Araújo Machado.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05290580558955572315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SeppVsnwnlI/AAAAAAAAAJk/80Gfe6nHmmE/S220/cinema_ruinas.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-7259102775092647956</id><published>2009-07-02T06:07:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T07:29:00.275-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reunião'/><title type='text'>Roda de samba</title><content type='html'>Nossa reunião dessa semana deu lugar à digníssima roda de samba de encerramento do curso "Do Jongo ao Samba: a dialética da carioquica", dado pelo professor Marcos Alvito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo, segunda feira que vem, dia 6 de julho, estaremos na sala 4 do bloco O às 13h, firmes e fortes, para fechar o planejamento para as férias. Todos os interessados estão convidados!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-7259102775092647956?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/7259102775092647956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=7259102775092647956' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/7259102775092647956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/7259102775092647956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/07/roda-de-samba.html' title='Roda de samba'/><author><name>Bárbara Araújo Machado.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05290580558955572315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SeppVsnwnlI/AAAAAAAAAJk/80Gfe6nHmmE/S220/cinema_ruinas.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-4176848057218812615</id><published>2009-06-24T13:10:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T07:29:00.275-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Novos membros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reunião'/><title type='text'>Reunião do dia 22/06</title><content type='html'>Na nossa última reunião, recebemos mais dois novos interessados: Marcus e João (popularmente conhecido como Careca). Continuamos lendo o texto do Antônio Cândido e discutindo seu conteúdo, o que devemos terminar de fazer segunda feira que vem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-4176848057218812615?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/4176848057218812615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=4176848057218812615' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/4176848057218812615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/4176848057218812615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/06/na-nossa-ultima-reuniao-recebemos-mais.html' title='Reunião do dia 22/06'/><author><name>Bárbara Araújo Machado.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05290580558955572315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SeppVsnwnlI/AAAAAAAAAJk/80Gfe6nHmmE/S220/cinema_ruinas.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-1038819590744039842</id><published>2009-06-17T17:46:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T07:29:00.276-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Novos membros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reunião'/><title type='text'>Novos membros e novidades</title><content type='html'>Na semana que passou, o grupo Machado Vivo esteve em busca de reforços. Na última segunda feira, dia 15, tivemos uma reunião de apresentação da nova galera que se interessou em se juntar ao grupo: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Natasha, Sara, Andréa e Lilian&lt;/span&gt;. Tivemos uma conversa sobre a proposta do grupo e nossos objetivos, trocando experiências com as meninas, que parecem ter muito a acrescentar ao grupo. Começamos também a leitura do texto do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Antônio Cândido, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Esquema de Machado de Assis&lt;/span&gt;, a qual daremos prosseguimento na próxima segunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo continua aberto - sempre esteve! - para novos membros interessados. Estamos ainda muito no começo dessa história, portanto não há motivos para afastamento de quem se interessa: estamos todos aprendendo juntos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos ainda de bolar uma apresentação para ser feita no &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;I Encontro de Culturas Urbanas em Icaraí&lt;/span&gt;, evento que ocorrerá dia 11 de julho, durante a manhã e a tarde no Campo de São Bento, em Niterói. Quem nos convidou pra participar foi o SanRapper, que assistiu nossa primeira oficina no Curso de Agentes Culturais Populares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é seguir em frente!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-1038819590744039842?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/1038819590744039842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=1038819590744039842' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/1038819590744039842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/1038819590744039842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/06/novos-membros-e-novidades.html' title='Novos membros e novidades'/><author><name>Bárbara Araújo Machado.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05290580558955572315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SeppVsnwnlI/AAAAAAAAAJk/80Gfe6nHmmE/S220/cinema_ruinas.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-6594298871748165275</id><published>2009-05-15T22:11:00.001-07:00</published><updated>2009-05-15T22:11:42.757-07:00</updated><title type='text'>Primeira Oficina</title><content type='html'>Olá a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta quinta feira realizamos nossa primeira oficina e, devo dizer, ela correu muito bem. A oficina foi montada em cima do livro Letramento Literário de Rildo Cosson, com suas devidas adaptações. Após introduzirmos o grupo e seus componentes presentes, e Machado de Assis (claro!), ouvimos a música &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Racistas Otários&lt;/span&gt; do Racionais MCs, que tratava, dentre outras questões, do preconceito racial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, lemos o &lt;a href="http://machadovivo.blogspot.com/2008/11/pai-contra-me-conto-de-machado-de-assis.html"&gt;Pai contra Mãe&lt;/a&gt; (ou melhor, os alunos do Curso de Formação de Agentes Culturais Populares leram-no) e seguiu-se uma discussão sobre o conto e suas relações com o presente, ou seja, uma análise comparada de cenas que perduram ao longo dos anos tornando a obra de Machado viva ainda nos dias de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a oficina deu muito certo foi porque, em grande parte, os alunos do curso estavam muito interessados nas discussões levantadas. O que ficou, quando o horário forçou-nos a interromper tal saborosa discussão, foi: ainda havia muito o que falar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-6594298871748165275?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/6594298871748165275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=6594298871748165275' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/6594298871748165275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/6594298871748165275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/05/primeira-oficina.html' title='Primeira Oficina'/><author><name>Rafael Zacca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img3.orkut.com/images/medium/1198085591/2651841.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-5834688647763677432</id><published>2009-05-09T12:34:00.000-07:00</published><updated>2009-05-09T12:37:03.805-07:00</updated><title type='text'>Oficina adiada</title><content type='html'>Oi, pessoal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa oficina no Curso de Formação de Agentes Culturais populares foi adiada pra dia 14/05, às 14h. Isso se deu porque o coordenador do Nós do Morro, Guti Fraga, só poderia dar sua oficina no dia que seria a nossa, então as datas foram alteradas.&lt;br /&gt;Nossa reunião segunda, dia 11, às 13h está de pé, para atualizarmos nossa ofina de acordo com as novas circunstâncias!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-5834688647763677432?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/5834688647763677432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=5834688647763677432' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/5834688647763677432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/5834688647763677432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/05/oficina-adiada.html' title='Oficina adiada'/><author><name>Bárbara Araújo Machado.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05290580558955572315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SeppVsnwnlI/AAAAAAAAAJk/80Gfe6nHmmE/S220/cinema_ruinas.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-8699689807801544855</id><published>2009-04-28T18:04:00.000-07:00</published><updated>2009-04-28T18:15:56.060-07:00</updated><title type='text'>Aula inaugural</title><content type='html'>Essa quinta feira ocorrerá a aula inaugural do Curso de Formação de Agentes Culturais Populares, e nós estaremos lá marcando presença. A equipe e os alunos se apresentarão (com muita arte!) e todos terão uma chance de conhecer melhor uns aos outros e à proposta e estrutura do curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrando que dia 7, quinta depois dessa, será nossa primeira oficina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/Sfep0ZMDFTI/AAAAAAAAALY/8wdQDKpjdtM/s1600-h/convite+curso.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 262px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/Sfep0ZMDFTI/AAAAAAAAALY/8wdQDKpjdtM/s320/convite+curso.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329915401595983154" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-8699689807801544855?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/8699689807801544855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=8699689807801544855' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/8699689807801544855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/8699689807801544855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/04/aula-inaugural.html' title='Aula inaugural'/><author><name>Bárbara Araújo Machado.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05290580558955572315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SeppVsnwnlI/AAAAAAAAAJk/80Gfe6nHmmE/S220/cinema_ruinas.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/Sfep0ZMDFTI/AAAAAAAAALY/8wdQDKpjdtM/s72-c/convite+curso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-8054784304249019644</id><published>2009-04-20T19:09:00.000-07:00</published><updated>2009-05-01T13:55:45.390-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oficinas'/><title type='text'>Preparação da nossa primeira oficina</title><content type='html'>A despeito da falta de atualizações há um tempo no blog, estivemos trabalhando, e bastante! Pouco depois do fim das férias, surgiu a oportunidade de fazer nossa primeira oficina. Ela acontecerá dia 7 de maio, depois da aula de cultura brasileira no curso de formação de agentes culturais populares, cujo&lt;a href="http://machadovivo.blogspot.com/2008/12/o-projeto-em-que-vamos-atuar.html"&gt; projeto&lt;/a&gt; já publicamos aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos nos reunido como costumeiramente às segundas feiras, às 13h no 5º andar do bloco O do ICHF. Estamos finalizando a montagem da oficina do dia 7, na qual discutiremos o conto &lt;a href="http://www.geocities.com/fusaoracial/FR_machado_pai_contra_mae.htm"&gt;Pai contra Mãe&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em breve, postaremos o esquema da oficina, baseado na metodologia do Rildo Cosson (bibliografia no nosso projeto logo abaixo).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-8054784304249019644?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/8054784304249019644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=8054784304249019644' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/8054784304249019644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/8054784304249019644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/04/preparacao-da-nossa-primeira-oficina.html' title='Preparação da nossa primeira oficina'/><author><name>Bárbara Araújo Machado.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05290580558955572315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SeppVsnwnlI/AAAAAAAAAJk/80Gfe6nHmmE/S220/cinema_ruinas.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-8095929305302414303</id><published>2009-04-20T18:50:00.001-07:00</published><updated>2009-05-01T13:56:04.386-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='projeto'/><title type='text'>Projeto do Grupo Machado Vivo</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;INTRODUÇÃO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Machado Vivo é um grupo de leitura e discussão da obra de Machado de Assis que visa utilizá-la como instrumento de estímulo à leitura e ao desenvolvimento de um pensamento crítico junto a crianças, adolescentes e adultos, sobretudo em escolas públicas, comunidades de baixa renda, entre outros espaços populares. O grupo é formado por alunos de graduação em História na Universidade Federal Fluminense e um professor associado do departamento de História desta mesma instituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Machado de Assis, considerado “um dos grandes escritores da língua portuguesa e seguramente o maior ficcionista da literatura brasileira” (DUARTE, 2007:7), retratou criticamente a sociedade escravista brasileira ao longo do século XIX e ainda no início do XX. No entanto, os temas abordados na vasta obra de Machado estabelecem um diálogo explícito com as questões vivenciadas atualmente pela população brasileira pauperizada, especialmente com aquela residente nos espaços urbanos marginalizados da cidade do Rio de Janeiro. Destacam-se temas como a escravidão, a afro-descendência, o paternalismo, a problemática de gênero e opressão feminina, dentre outros que muitas vezes persistem ou assumem novas formas na nossa sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   A despeito da imagem altiva e distanciada criada sobre Machado, fardo impingido comumente aos clássicos, e das críticas – felizmente rebatidas – que o acusam de um suposto absenteísmo em relação ao problema da escravidão, sua origem mestiça e popular o aproxima dos leitores populares, na medida em que discute temas com que se identificam ainda nos dias atuais. Levando em consideração o público para o qual publica à sua época, Duarte afirma que Machado “nunca opta pelo confronto aberto. Ao contrário, vale-se da ironia, do humor, da diversidade de vozes, e de outros artifícios para inscrever seu posicionamento” (DUARTE, 2007:253). Foi esse o modo pelo qual pôde criticar a classe dominante escravista em seu seio, tornando-se ainda assim um dos mais respeitados intelectuais de seu tempo. A riqueza literária, portanto, se desvela, mas nem por isso se torna inacessível. Segundo Rildo Cosson, “mantida em adoração, a literatura torna-se inacessível e distante do leitor, terminando por lhe ser totalmente estranha” (COSSON, 2007: 29). Acreditamos que o manuseio íntimo da obra de Machado de Assis pelas classes populares, feito a partir da desmistificação desse caráter distante e da evidenciação de sua proximidade com a realidade dos leitores, pode se tornar mais um instrumento de potencial criativo e de transformação social em suas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    A leitura literária, ao contrário do que se pode pensar a princípio, é um processo de cunho fundamentalmente comunitário. Segundo Rildo Cosson, “no sentido que lemos apenas com os olhos, a leitura é, de fato, um ato solitário, mas a interpretação é um ato solidário” (COSSON, 2007: 27). O que o autor procura evidenciar com o jogo de palavras é o fato de que a literatura – que define como “uma experiência a ser realizada” – abriga em si um sentido fundamentalmente pertencente à sociedade em que é produzida. Desse modo, o leitor encontra no texto literário elementos de si mesmo e da comunidade à qual pertence, dialogando não só com o autor do texto, mas com a sociedade em que ambos estão localizados. Nesse sentido, a discussão comunitária de uma obra literária torna-se chave para uma leitura literária realmente produtiva, propiciando um diálogo direto entre autor, leitor e sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Torna-se necessário, portanto, evidenciar a relação entre a obra e o contexto social e histórico em que ela se situa. Facina (2004) afirma que é preciso “dessacralizar a criação literária, destacando a sua dimensão histórico-sociológica e rejeitando a perspectiva idealista que vê a literatura (...) como uma esfera da atividade humana completamente autônoma em relação às condições materiais de sua produção” (FACINA, 2004: 10). É central no presente projeto esclarecer esse aspecto, o que será alcançado através do diálogo estabelecido entre a obra machadiana, o contexto em que foi produzida e a realidade atual. Entender a arte dessa forma, especificamente uma produção literária consagrada na sociedade brasileira, torna-a palpável e acessível, podendo, portanto, ser manuseada de forma autônoma pelos novos leitores. A partir do momento em que se torna palpável para as classes populares, a obra machadiana pode ainda tornar-se instrumento de criação. A produção cultural em favelas e comunidades marginalizadas pela sociedade mostra-se indiscutivelmente rica e florescente. O contato e manuseio dessa literatura através de uma abordagem diferenciada daquela feita na escola, isto é, sem a hierarquia característica da relação professor-aluno, pode gerar possibilidades criativas inovadoras. Além disso, qualquer espaço destinado à discussão dos problemas sociais é frutífero, na medida em que as idéias são comunicadas e a criatividade coletiva é ativada. O desenvolvimento do pensamento crítico coletivo e individual soma-se, assim, a um conhecimento muitas vezes restringido às esferas sociais dominantes. Sobre a democratização do conhecimento, Weffort afirma: "Toda a separação entre os que sabem e os que não sabem, do mesmo modo que a separação entre as elites e o povo, é apenas fruto de circunstâncias históricas que podem e devem ser transformadas." (WEFFORT, 1982: 12).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    A opção pela obra de Machado de Assis deu-se por diversos motivos. Primeiramente, sua bibliografia é de fácil acesso, estando totalmente digitalizada e disponível ao público no site do Ministério da Educação, bem como um vasto conteúdo sobre o autor e sua obra. O grande volume de informação cresceu ainda mais devido ao intenso movimento em torno do autor gerado pelos 100 anos de seu falecimento, em 2008. Além dessas questões de ordem prática, a obra machadiana aborda temáticas fundamentais concernentes à sociedade brasileira que se discutem ainda nos dias atuais, tais como a questão racial – que será abordada em especial nas oficinas –, a hierarquia entre classes sociais e a questão de gênero. Essas temáticas apresentam-se em uma forma literária muito rica, na medida em que não explicita suas críticas sociais, mas as coloca de modo indireto e dissimulado, tendo em vista que se encontrava no seio da elite escravista que criticava com veemência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;VIABILIDADE&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O projeto apresenta-se viável na medida em que já estabelecemos parceria com lideranças comunitárias da favela de Acari, tendo estado presentes em atividades culturais organizadas pela associação de moradores local a partir do mês de janeiro de 2009. Além disso, começamos a atuar junto ao projeto do Curso de Formação de Agentes Culturais Populares, elaborado pela professora Adriana Facina, também do departamento de História da Universidade Federal Fluminense, visando oferecer oficinas eletivas para os integrantes do curso. O projeto se encontra vinculado a uma série de comunidades de favelas, incluindo Acari, propiciando, assim, outras possibilidades futuras de atuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;OBJETIVO GERAL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenvolver o hábito e o gosto pela leitura literária e estimular o desenvolvimento de um pensamento crítico junto a jovens e adultos das classes populares através da literatura de Machado de Assis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;OBJETIVOS ESPECÍFICOS&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suscitar discussões relacionadas a problemáticas sociais que afetam sobremaneira as classes populares, tais como a questão racial, de classe e de gênero, além de estimular novas possibilidades criativas e artísticas a partir do contato com a literatura machadiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;METODOLOGIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Pretendemos realizar oficinas de leitura e discussão da obra machadiana utilizando a metodologia de letramento literário proposta por Rildo Cosson (2007). Segundo Cosson, o letramento literário é um processo que visa à formação de um leitor que se apropria de forma autônima das obras e do processo de leitura, ultrapassando a simples decodificação do texto. O autor afirma que “é no exercício da leitura e da escrita de textos literários que se desvela a arbitrariedade das regras impostas pelos discursos padronizados da sociedade letrada e se constrói um modo próprio de se fazer dono da linguagem” (COSSON, 2007: 16).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Cosson propõe quatro etapas para a realização do processo de letramento literário: 1) Motivação: Consiste em um convite inicial para que o leitor possa criar interesse em relação ao texto, através de uma atividade que o aproxime com o mundo ficcional que encontrará na obra a ser lida; 2) Introdução: trata-se de uma apresentação de alguns dados sobre o autor e do contexto histórico em que a obra foi produzida. Segundo Facina (2004), “toda criação literária é um produto histórico, produzido numa sociedade específica, por um indivíduo inserido nela por meio de múltiplos pertencimentos” (FACINA, 2004: 10). Essa etapa torna-se importante no presente caso, considerando-se a relação que pretendemos evidenciar entre a contexto social em que a obra de Machado se situava e a realidade vivida pelos integrantes das oficinas. No entanto, ela não deverá alongar-se, permanecendo o foco da oficina na leitura e discussão da obra; 3) Leitura: será realizada uma leitura dramatizada pelos integrantes do grupo Machado Vivo, podendo os participantes da oficina acompanhar o texto individualmente ou ainda participar da leitura em voz alta. Essa dinâmica poderá sofrer alterações de acordo com singularidades observadas entre os integrantes de cada oficina; 4) Interpretação: Cosson divide essa etapa em duas, de interpretação individual e coletiva. A interpretação individual é o momento no qual o leitor chega a conclusões próprias e, se possível, as registra. Já a coletiva é o momento de discussão comunitária dos integrantes da oficina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    CHALHOUB, Sidney. Machado de Assis Historiador. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    COSSON, Rildo. Letramento Literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto, 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    DUARTE, Eduardo de Assis. Machado de Assis afro-descendente. 2ª ed. Rio de Janeiro/ Belo Horizonte: Pallas/ Crisálida, 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    FACINA, Adriana. Literatura e Sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Machado de Assis – obra completa. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=11300&amp;amp;Itemid=1338&amp;amp;sistemas=1. Acesso em: 3/03/2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    WEFFORT, Francisco C. Educação e Política: reflexões sobre uma pedagogia da liberdade. In: FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. 13ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-8095929305302414303?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/8095929305302414303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=8095929305302414303' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/8095929305302414303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/8095929305302414303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/04/projeto-do-grupo-machado-vivo.html' title='Projeto do Grupo Machado Vivo'/><author><name>Bárbara Araújo Machado.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05290580558955572315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SeppVsnwnlI/AAAAAAAAAJk/80Gfe6nHmmE/S220/cinema_ruinas.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-864526224123153502</id><published>2009-01-31T03:19:00.000-08:00</published><updated>2009-01-31T14:33:46.353-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='projeto'/><title type='text'>Exemplo de projeto</title><content type='html'>Oi, pessoal, infelizmente não deu para marcar a reunião com a minha irmã, Maria Fernanda, que desenvolve um projeto em Vitória-ES bem semelhante ao nosso. Mas lá vai o texto do projeto que está sendo implementado por ela e seus alunos da UFES, pois acho que ele pode nos ajudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROJETO DE LEITURA: A REPRESENTAÇÃO NEGRA NA LITERATURA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 – INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proposição deste projeto se dá no âmbito do componente curricular denominado Laboratórios de Práticas Culturais do curso de licenciatura em Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa da UFES. Nesse espaço, a disciplina Seminário de Extensão III, no semestre 2008-2, está voltada para a produção e realização de projetos de extensão que tenham como objetivo a leitura de textos literários. É importante destacar que, do ponto de vista que adotamos, a literatura, a arte, e as práticas de leitura a elas relacionadas, são consideradas como presença indispensável à formação do aluno na escola; entretanto, há que considerá-las de uma perspectiva não-tradicional, que enfatize seu aspecto por definição irredutível ao caráter de “conteúdo didático”. Desse modo, se justifica um modo de “ensinar” que, procurando afinar-se com o discurso literário, busque estratégias capazes de garantir, no aprendizado da leitura, o reconhecimento do movimento criador que lhe é próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- OBJETIVO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo geral deste projeto é o fortalecimento dos laços culturais entre os alunos e a produção artística, especialmente a arte literária, por meio de práticas de leitura e interpretação de textos que não se restringirão ao âmbito da linguagem verbal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como objetivo específico, tem-se a discussão de um tema de interesse para toda a comunidade escolar: a diversidade social, os constrangimentos e preconceitos, em particular os de ordem racial, que afetam a convivência nos espaços público e doméstico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 – CORPUS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contos machadianos: “O caso da vara”, “Pai contra mãe”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filmes: “Quanto vale ou é por quilo?”, “Pai contra mãe”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Músicas: “Navio negreiro”; “Negro drama” (Racionais MC’s)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagens da escravidão no Brasil e da cultura negra atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs: o corpus poderá sofrer alterações com o desenvolvimento das aulas e levando-se em consideração as preferências e o perfil dos envolvidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 – METODOLOGIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretendemos fazer uso da metodologia de leitura desenvolvida por Rildo Cosson, em Letramento Literário (São Paulo: Contexto, 2006). O autor propõe quatro etapas para o desenvolvimento de projetos que visem à aproximação dos alunos com o discurso literário. A seguinte explanação é um resumo, adaptado aos propósitos do presente trabalho, da metodologia desenvolvida por este autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Motivação: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte-se da idéia de que, para que ocorra ato imaginativo, indispensável à compreensão e interpretação de um texto literário, é preciso que haja interesse/disposição do ouvinte/leitor com relação a este. O texto literário, sendo em princípio um ato criativo e fantasioso (Freud), necessita de um convite inicial para que o leitor adentre no plano ficcional e possa realmente vir a deleitar-se com as experiências e questionamentos que a ficção lhe oferece. Desse modo, antes do ato de leitura, deve-se buscar, por meio de uma atividade específica, uma aproximação entre a realidade das experiências dos ouvintes/leitores e o mundo ficcional que encontrarão no texto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nosso projeto, as atividades de motivação consistirão na leitura de imagens ligadas à situação social do negro e às manifestações culturais negras do século XIX até a atualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2- Introdução&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proposição deste momento do trabalho, que talvez seja, dentre os que compõem a metodologia adotada, um dos mais familiares à abordagem usual da literatura na escola, busca sua fundamentação nos estudos sobre a obra de Mikhail Bakhtin. Este autor afirma que todo enunciado, todo texto, é constituído de muitos outros textos que incorporou e os quais discute, concordando com eles, discordando, acrescentando, distinguindo, enfim, modificando as suas proposições. Assim, compreendendo que os sujeitos, ao falar, escrever, e também ao ler, respondem discursivamente a vários discursos que circulam socialmente, temos que considerar que quaisquer produções de linguagem apresentam-se como produções de resposta ao meio social. É nesse sentido que a apresentação sucinta de alguns dados sobre o autor e do contexto social e literário em que sua produção se perfila é considerada um momento necessário no desenvolvimento de um projeto de leitura. No entanto, julgamos necessário enfatizar que as informações aí fornecidas não devem, nesse passo ainda inicial do desenvolvimento do projeto, ser excessivamente desdobradas, a ponto de tornarem-se foco de uma atenção especial, maior do que a dedicada às atividades de leitura e interpretação da obra, que se destinam apenas a preparar. Tais informações, portanto, longe de serem tomadas como o “conteúdo” a ser retido e, de certa maneira, apenas confirmado pela leitura da obra, como muitas vezes acontece no ensino tradicional da literatura, devem apenas permitir que o leitor cerque previamente a obra que vai ler de uma rede de relações, sem as quais a leitura não faria sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo Machado de Assis o autor literário ao qual dedicaremos maior atenção, a introdução abordará aspectos ligados à produção de sua obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3- Leitura: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Buscaremos, durante a execução do projeto, desenvolver o diálogo entre textos que se utilizam de diversos recursos comunicativos: escritos, visuais, auditivos, audiovisuais ou corporais, dado que todas essas produções são discursos, portanto, texto, como os textos verbais, e prestam-se, como eles, à leitura. Com relação a esta última, considerada, no seu sentido restrito, como a atividade de decodificação e compreensão do texto, frisemos que, de acordo com o que ficou dito a respeito do discurso no item anterior, entendemos a leitura como produção discursiva que, nascendo na esfera social, não pode deixar de dirigir-se à mesma esfera, como resposta ao texto lido e à visão de mundo que ele projeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propomos, inicialmente, a leitura de dois contos de Machado de Assis: “O caso da vara” e “Pai contra mãe”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4- Interpretação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este momento se divide em dois movimentos distintos mas interligados, como se explica a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.1- Interpretação Individual: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda na perspectiva bakthiniana, ou seja, sabendo que cada indivíduo responde ao discurso apresentado de forma singular, propomos num primeiro momento, após a leitura de cada texto literário, uma produção textual individual. Trata-se, aqui, de garantir espaço e tempo para que os alunos possam expressar suas reações diante do ato da leitura, proporcionando-lhes uma inversão de papéis, sendo agora cada um deles o agente direto da criatividade. Dessa forma também é possível que conheçamos, mesmo que de maneira indireta e preservando, sempre que exigido, a privacidade desses escritos de caráter pessoal, as leituras de mundo dos envolvidos, convocadas pela provocação do texto literário recém-lido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A proposta de atividade de interpretação individual será definida no decorrer do trabalho, levando em consideração a interação estabelecida entre a coordenadora das atividades e as turmas envolvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.2- Interpretação coletiva: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cremos que a escola é um espaço privilegiado para se repensar/discutir essas leituras de mundo, assumindo aqui a leitura seu tão importante papel transformador. Se toda leitura é também uma resposta ao mundo ao qual a própria leitura pertence e no qual se dá, resposta esta que plasma a posição do sujeito diante do mundo, no momento de seu diálogo com um texto, é necessário que, depois de formuladas, as respostas individuais sejam reenviadas ao espaço social real e aí se encontrem, confrontem e modifiquem no consórcio com as posições de outros sujeitos sociais. Propomos então, após a produção individual, uma atividade coletiva onde os alunos tenham momentos para discutir a elaboração de uma outra produção relacionada a interpretação do texto trabalhado, chocando assim suas idéias e promovendo reflexões a respeito das divergências suscitadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também no que se refere a este momento, queremos deixar em aberto, para posterior discussão com a equipe pedagógica, em face dos desdobramentos do trabalho, a realização da produção coletiva com que serão encerrados os trabalhos deste projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5- Referências bibliográficas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003, p. 261-306.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;COSSON, Rildo. Letramento Literário. São Paulo: Contexto, 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FREUD, Sigmund. Escritores criativos e devaneio. In: Obras Completas, Vol. IX, p. 133-143.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-864526224123153502?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/864526224123153502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=864526224123153502' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/864526224123153502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/864526224123153502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/01/exemplo-de-projeto.html' title='Exemplo de projeto'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_IwK76splDDQ/So8hQvEURzI/AAAAAAAADdQ/fmhUUJBlTas/S220/IMG_8013.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-3685074080007088588</id><published>2009-01-13T14:27:00.000-08:00</published><updated>2009-01-13T17:49:23.285-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='acari'/><title type='text'>Oficina de Letramento na Colônia de Férias em Acari</title><content type='html'>Ontem, segunda feira, fomos assistir à oficina de letramento que a professora Adriana (Drica) deu às crianças da colônia de férias do Favo de Acari. A idéia era a de observarmos como se daria o processo, já que o objetivo do nosso grupo é fazer um letramento literário a partir da obra do Machado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o primeiro dia da oficina de letramento. A atividade começou com uma conversa com as crianças sobre identidade e o lugar onde elas nasceram e moram, e culminou com a confecção de mapas feitos em grupos por elas. Esses mapas continham seus lugares favoritos de Acari, e depois fomos às ruas visitar alguns dos locais mais importantes da comunidade eleitos por elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaremos de volta à oficina de letramento na próxima segunda feira, dia 19/01, no mesmo lugar, às 15 horas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-3685074080007088588?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/3685074080007088588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=3685074080007088588' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/3685074080007088588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/3685074080007088588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/01/oficina-de-letramento-na-colnia-de.html' title='Oficina de Letramento na Colônia de Férias em Acari'/><author><name>Bárbara Araújo Machado.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05290580558955572315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SeppVsnwnlI/AAAAAAAAAJk/80Gfe6nHmmE/S220/cinema_ruinas.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-2750116822266937420</id><published>2009-01-07T04:58:00.000-08:00</published><updated>2009-07-23T07:30:27.381-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='acari'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reunião'/><title type='text'>Reunião sobre o projeto da prof. Facina em Acari</title><content type='html'>Ontem fomos a Acari participar de uma reunião sobre o projeto da prof. Adriana Facina (que está na íntegra no post anterior), na qual, além da apresentação e discussão do projeto em geral, iniciou-se a divisão de algumas tarefas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reunião ocorreu no barracão da escola de samba Favo de Acari e participaram dela a prof. Facina, Mardônio (MST), Deley (Acari), Juliano e Pingo (APAFunk), Mestre Calunga (mestre de bateria da Favo de Acari), o pessoal do coletivo "Direito pra Quem?" (do Direito-UERJ: http://direitopraquem.blogspot.com/), a prof. Adriana (_), Cláudia (Acari), além de alguns de nós do grupo Machado Vivo (Mariana, Zacca, Bárbara e Alvito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reunião foi importante para esclarecer os propósitos principais do projeto e começar a articulá-lo com o que já está em curso na favela de Acari. A partir desse sábado, terá início uma espécie de colônia de férias para jovens por iniciativa da Favo de Acari. Nessa colônia, o coletivo Direito pra Quem é responsável pela realização de debates sobre filmes e uma oficina de stêncil aos sábados. Já a professora Adriana realizará uma oficina de letramento às segundas feiras. O Deley fará uma oficina de confecção de instrumentos e o Mestre Calunga, uma oficina de percussão com esses instrumentos confeccionados na própria colônia de férias.&lt;br /&gt;Decidiu-se na reunião que a divulgação do curso de formação de agentes culturais será feita junto à divulgação e realização dessa colônia de férias. Através dela também o grupo tomará maior conhecimento da comunidade e dos possíveis interessados no curso de formação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu-se também pela criação de um blog do projeto, o que nos facilitará acompanhá-lo pela internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combinamos de assistir à oficina de letramento da professora Adriana na próxima &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;segunda feira (dia 12), às 15h, lá na Favo de Acari&lt;/span&gt;. Também ficamos de ler, além do já combinado Helena, do Machado, o livro &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Letramento Literário: Teoria e Prática&lt;/span&gt;, de Rildo Cosson, que muito pode contribuir para nosso objetivo de realizar um contato e aproximação das pessoas com a literatura. Na livraria da Travessa tem: http://www.travessa.com.br/LETRAMENTO_LITERARIO_TEORIA_E_PRATICA/artigo/90dada5f-9d3e-4864-930f-fb64a06c1e6f , mas eu (Bárbara) estou com um exemplar também. Caso alguém queira emprestado ou algo assim, é só avisar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-2750116822266937420?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/2750116822266937420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=2750116822266937420' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/2750116822266937420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/2750116822266937420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2009/01/reunio-sobre-o-projeto-da-prof-facina.html' title='Reunião sobre o projeto da prof. Facina em Acari'/><author><name>Bárbara Araújo Machado.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05290580558955572315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SeppVsnwnlI/AAAAAAAAAJk/80Gfe6nHmmE/S220/cinema_ruinas.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-1889970044756666279</id><published>2008-12-24T11:26:00.000-08:00</published><updated>2009-04-20T19:39:19.458-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='projeto'/><title type='text'>O Projeto em que vamos atuar</title><content type='html'>Oi, pessoal, eis o projeto da Profa. Adriana Facina em que vamos atuar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROGRAMA DE APOIO À EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROEXT 2008 – MEC/ CULTURA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MINISTÉRIO DA CULTURA&lt;br /&gt;MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;EDITAL Nº 01/2008&lt;br /&gt;Brasília, 24 de Setembro de 2008&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FICHA DE IDENTIFICAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROJETO: Curso de Formação de Agentes Culturais Populares&lt;br /&gt;INSTITUIÇÃO PROPONENTE: Universidade Federal Fluminense&lt;br /&gt;PRÓ-REITOR DE EXTENSÃO: PROFESSOR DR. FABIO BARBOZA PASSOS&lt;br /&gt;COORDENADOR (nome, telefone, e-mail):&lt;br /&gt;PROFESSOR DR.ADRIANA FACINA GURGEL DO AMARAL&lt;br /&gt;tel:88644305/36024305 email: adriana.facina@terra.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TÍTULO: Curso de Formação de Agentes Culturais Populares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESUMO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Curso de Formação de Agentes Culturais Populares visa capacitar/qualificar jovens e adultos moradores de espaços populares, sobretudo favelas em Niterói e na cidade do Rio de Janeiro, que desenvolvem atividades no campo da arte e da cultura (artistas e produtores culturais dos campos da música, dança, audiovisual, artes plásticas, artesanato, teatro e “animadores culturais”). A intenção é estimular essas iniciativas e permitir que elas possam se beneficiar de editais de fomento, sendo organizadas no sentido de captar recursos (públicos ou privados), bem como desenvolver atividades auto-sustentáveis. Com isso, além da formação profissional dos empreendedores culturais das favelas, será possível dinamizar a economia dessas localidades, tornando as atividades culturais já desenvolvidas por esses agentes fonte de renda e emprego para a população favelada. Outro objetivo é desenvolver redes culturais nas favelas, no sentido da construção de uma cultura de paz, com respeito à diversidade étnica, de gênero, religiosa etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________________________________&lt;br /&gt;Coordenador&lt;br /&gt;(assinar e datar)&lt;br /&gt;______________________________________&lt;br /&gt;Pró-Reitor de Extensão&lt;br /&gt;PROPOSTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROJETO: Curso de Formação de Agentes Culturais Populares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INSTITUIÇÃO PROPONENTE: UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TÍTULO: Curso de Formação de Agentes Culturais Populares&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;COORDENADOR:  profa. Dra. ADRIANA FACINA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EQUIPE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NOME  UNIDADE CATEGORIA PROFISSIONAL FUNÇÃONO PROJETO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. ADRIANA FACINA ICHF PROFESSORA COORDENADORA  &lt;br /&gt;2. ANA LÚCIA ENNE IACS PROFESSORA VICE-COORDENADORA &lt;br /&gt;3. AFONSO MADUREIRA  GEOCIÊNCIAS GRADUANDO ARTICULADOR COM LIDERANÇAS COMUNITÁRIAS &lt;br /&gt;4. MARIANA DOS SANTOS REIS FEUFF PÓS-GRADUANDA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA&lt;br /&gt;5. MARIANA GOMES CAETANO IACS GRADUANDA ASSISTENTE DE PESQUISA E SECRETARIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENTIDADES PARCEIRAS: Centro Social Futuro Feliz (Acari), Associação de Moradores do Morro do Estado, Movimento Funk é Cultura, Templo do Hip Hop (Acari), Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), Rede Funk Social (São Gonçalo), Coletivo de Hip Hop Luta Armada, Observatório da Indústria Cultural (grupo de pesquisa cadastrado no CNPq/UFF), Laboratório de Mídia (LAMI/UFF).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;APRESENTAÇÃO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Curso de Formação de Agentes Culturais Populares apresenta-se como uma proposta de constituição de um espaço articulador de uma área da atividade humana que hoje experimenta, em níveis inéditos, o avanço do mercado: a produção cultural. Nos espaços populares, a produção cultural tem sofrido com a falta de uma qualificação que permita aos que trabalham com a cultura disporem de meios de produzir reflexões e alternativas para sobreviver ao massacre do mercado, dominado pelas grandes corporações, bem como para uma produção artística que esteja vinculada de forma radical aos desafios vividos por essas populações no seu cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Segundo Frederic Jameson, a lógica cultural que corresponde ao atual estágio da organização das sociedades capitalistas é o pós-modernismo. No capitalismo tardio, a esfera da mercadoria se amplia imensamente e a cultura se tornou um produto a ser consumido cada vez mais avidamente, num processo de estetização radical da realidade. Dizendo de outra maneira, a produção estética se encontra cada vez mais integrada à produção de mercadorias em geral. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concretamente, tal processo resulta em criações culturais fragmentadas, muitas vezes conformistas, que não portam visões de mundo que permitam aos sujeitos históricos reconstruir sentidos e pensar criticamente sobre a realidade em que se inserem. O caótico, o aleatório, o nonsense apontam para uma perspectiva que apresenta uma condição histórica esvaziada do sentido de processo, sem passado e, portanto, sem um futuro que possa ser transformado. O que existe é um presente incompreensível. Entretanto não podemos negar a capacidade de resistência dos “de baixo” aos processos de fragmentação e homogeneização das experiências culturais. Uma resistência que reside na necessidade de buscar alternativas para o acesso aos bens culturais, visto que há uma imensa concentração da produção e da distribuição, e no desejo de se elaborar produtos que portem suas visões de mundo e seus estilos de vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse contexto, as potencialidades criativas da reprodutibilidade técnica encontram-se encapsuladas pelo grande capital, na forma dos conglomerados da comunicação e do entretenimento. De acordo com Dênis de Moraes,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A mídia global está nas mãos de duas dezenas de conglomerados, com receitas entre US$ 8 bilhões e US$ 40 bilhões. Eles veiculam dois terços das informações e dos conteúdos culturais disponíveis no planeta. São proprietários de estúdios, produtoras, distribuidoras e exibidoras de filmes, gravadoras de discos, editoras, parques de diversões, TVs abertas e pagas, emissoras de rádio, revistas, jornais, serviços on line, portais e provedores de internet, vídeos, videogames, jogos, softwares, CD-ROMs, DVDs, equipes esportivas, megastores, agências de publicidade e marketing, telefonia celular, telecomunicações, transmissão de dados, agências de notícias e casas de espetáculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“AOL-Time Warner, Viacom, Disney, News, Bertelsmann, NBC-Universal, Comcast e Sony, as oito primeiras do ranking de mídia e entretetenimento, têm idênticas pretensões de domínio: estar em toda parte, a qualquer tempo, para exercer hegemonia.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarefa de criticar a concentração dos bens culturais e das possibilidades de sua produção e fruição torna-se, nesse cenário, fundamental para projetos culturais que busquem caminhos alternativos a essa lógica. No entanto, ela não deve se limitar a uma negação dessa indústria, mas também incluir a formulação de propostas e iniciativas que possam apresentar alternativas à cultura hegemônica. Para tal, o Curso de Formação de Agentes Culturais Populares pretende congregar artistas e produtores culturais populares, bem como a universidade pública. O intuito é desenvolver atividades de pesquisa, produção e divulgação cultural voltadas para as expressões culturais populares, cuja diversidade e heterogeneidade não estejam centradas apenas nas produções consagradas pela indústria cultural, mas que busquem a novidade e a complexidade dos processos que se situam no universo das classes populares, que são fundamentais para o entendimento da cultura como prática viva e dinâmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse modo, se torna possível articular iniciativas culturais e produções teóricas, no sentido de uma conjugação entre teoria e prática que aponte de fato para a construção de uma prática cultural popular, que se configure como uma alternativa para as classes populares, para que estas possam produzir reflexões teórico-práticas  que se orientem para um avanço qualitativo e quantitativo da produção de experiências e lugares de fruição da cultura, bem como  para a possibilidade de democratização do  acesso aos processos de elaboração/criação e distribuição da cultura, entendida em seu sentido mais largo e profundo. É importante ter clareza que não apontamos para o isolamento ou para a dicotomia entre a cultura produzida nos espaços populares e a cultura produzida e “consumida” em outros espaços. Pelo contrário, a estratégia vai no sentido de construir novos sentidos sobre a cultura e as populações dos espaços favelados, e que estas possam ter acesso a outros bens culturais que lhes são negados devido às profundas desigualdades sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso reconhecer que, numa sociedade profundamente marcada pela desigualdade social como é a brasileira, a produção e a fruição cultural nos espaços populares se deparam com uma série de dificuldades. O próprio investimento estatal na cultura acaba, por vezes, reforçando uma lógica excludente e desigual. Um exemplo disso é a grande concentração de equipamentos e bens culturais no centro e na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. De acordo com dados da prefeitura, 60% dos teatros públicos se encontram na Zona Sul e apenas 11% na Zona Norte da cidade. Ainda segundo a mesma fonte, a Zona Sul concentra 50% dos Centros Culturais.  Nas favelas cariocas, praticamente inexistem cinemas, teatros e espaços culturais, bem como escolas de arte, audiovisual etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o mercado, não espelha a diversidade, a dinâmica e a pluralidade da cultura popular, sobretudo nas suas manifestações que não trazem um legado cultural consagrado pelo mercado e pelas elites. Portanto, acreditamos ser necessário criar uma rede cultural voltada para a valorização das manifestações culturais e artísticas dos moradores de espaços populares, respeitando sua diversidade. Trata-se de algo imprescindível para a construção de sociabilidades urbanas pautadas por uma lógica democrática e cidadã, capaz de se contrapor à sociabilidade violenta , enriquecendo a cultura da cidade como um todo por meio de trocas e circulação de saberes, gostos, valores e práticas culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante ainda destacar a relevância da cultura para a conformação de identidades sociais afirmativas, na contramão da ótica estigmatizante que hoje predomina nos meios de comunicação e em setores da sociedade sobre a população pobre, sobretudo a juventude. Enfatizar o protagonismo juvenil através de cursos, oficinas e produção cultural, estimulando os jovens a criarem representações de mundo e de si mesmos, é fundamental. A afirmação de identidades construídas por meio da diversidade de linguagens artísticas – música, teatro, fotografia, vídeo, artesanato, dança, grafite – pode ser também um caminho para garantir o direito à cidade para os jovens das camadas populares.&lt;br /&gt;Desse modo, a cultura pode ser compreendida como política pública social e não apenas como lazer mercantilizado. As favelas devem ser reconhecidas como espaços produtores de cultura e territórios centrais para a construção de uma identidade urbana cidadã, democrática e inclusiva.&lt;br /&gt;Um outro elemento importante do projeto é a relação das populações faveladas com a universidade pública. O acesso dessas populações à universidade é ainda bastante restrito e resulta de um processo histórico de desmantelamento da educação pública e da falta de uma política significativa de expansão das vagas no ensino público superior que dê conta da demanda por uma educação de qualidade socialmente referenciada para o conjunto da sociedade brasileira. Somente 1% dos moradores das comunidades populares do Rio de Janeiro chegou à universidade.  Dessa maneira, criar pontes entre as favelas e a universidade, formando, por exemplo, pesquisadores em territórios populares, é central, para que esses possam também dispor de instrumentais teórico-metodológicos que permitam refletir sobre a sociedade e identificar os desafios a serem superados.&lt;br /&gt;Trata-se não somente de gerar demandas organizadas coletivamente para a inclusão desse público na universidade, mas também do enriquecimento das trocas acadêmicas e culturais entre jovens de origens sociais distintas e cada vez mais apartados dentro da “cidade partida”.&lt;br /&gt;O Curso de Formação de Agentes Culturais Populares também se volta para a constituição de uma economia cultural alternativa, capaz de oferecer opções de formação profissional e renda para os artistas e produtores culturais das favelas. Essas iniciativas serão baseadas no mapeamento da produção cultural das localidades compreendidas pelo projeto, respeitando sua diversidade e pluralidade. Esse projeto não é resultado de uma idéia desvinculada das demandas concretas dessas populações, nem tão pouco de uma construção recente e fragmentária, mas de tessituras que vêm sendo produzidas entre a universidade, artistas, produtores culturais, empresários, donos de equipes de som, comerciantes, jovens desempregados ou subempregados, estudantes/pesquisadores, professores universitárias, ONG’s, e lideranças comunitárias, produzindo experiências que buscam equacionar as complexas e diversas demandas pautadas por esses atores. Entretanto, essas articulações e ações necessitam ser potencializadas para produzirem impactos e resultados de maior proporção. Temos um momento muito oportuno na vida cultural das favelas. Se, por um lado, há muitas dificuldades por conta da violência e dos contextos em que a produção cultural desses espaços estão situados, por outro lado, há uma necessidade de superação desse estado de coisas, de uma profissionalização das iniciativas culturais e de uma ampliação do acesso a recursos públicos e privados que possibilitem realizações mais elaboradas e mais autônomas em relação aos grupos que dominam as produções nesses espaços. E ainda de buscar atender à demanda crescente de formação com vistas à criação de alternativas de inserção econômicas, assim como de organização desses produtores culturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JUSTIFICATIVA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com base nos escritos de Raymond Williams, entendemos a cultura como parte da produção e reprodução material da vida e não como uma esfera isolada das demais atividades humanas. Desse modo, a cultura é parte da construção social a realidade, informando a cotidianidade das práticas sociais humanas.&lt;br /&gt;Nas favelas cariocas essa dimensão material da cultura pode ser percebida de modo claro. A despeito do baixo investimento estatal e privado, existe nesses espaços extensa produção cultural. Bailes funk, ensaios de escola de samba, folia de reis, rodas de samba, eventos de hip hop, grafitagem, aulas de break e dança funk, shows são parte do seu cotidiano cultural. Tudo isso confirma a idéia proposta por autores como Lícia Valladares que apontam para as favelas não só como lugar da pobreza e da miséria, mas sobretudo espaço de mobilidade social, de diversidade e de resistência à desigualdade social.  Decorre daí a importância de fortalecer e articular essa produção, no sentido de torná-la alternativa econômica e também de vida para as populações faveladas, contribuindo para a construção de sociabilidades não violentas.&lt;br /&gt;Além da relevância, o projeto também se mostra viável, pois está articulado com uma série de iniciativas que já estão em curso. Um exemplo disso são as rodas de funk que vêm sendo promovidas pelo Observatório da Indústria Cultural (grupo de pesquisa sediado na UFF e cadastrado no CNPq) em parceria com o Movimento Funk é Cultura. As rodas de funk são eventos que buscam construir um espaço alternativo à grande mídia para a divulgação da produção funkeira que hoje não se enquadra no mercado. Além disso, elas também são locais de intercâmbio entre novas e velhas gerações, bem como entre artistas favelados que hoje vêm seu contato restringido devido às territorialidades impostas pelas facções que comandam o comércio varejista de drogas nas favelas. Três dessas rodas foram particularmente significativas enquanto trocas culturais e potencialização da capacidade comunicativa da cultura popular. A primeira delas foi realizada na UFF durante o Encontro da Juventude do Campo e da Cidade, organizado em parceria com a Via Campesina, reunindo cerca de mil jovens de vários estados brasileiros. A presença de MCs representando a cultura das favelas cariocas em uma das noites culturais do encontro teve grande impacto político e contribuiu para problematizar a estigmatização que pesa sobre os espaços favelados, existente mesmo entre meios politizados e críticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MCs Galo da Rocinha, dupla Júnior e Leonardo, e William do Borel no encontro&lt;br /&gt;organizado pelo MST/Via Campesina na UFF&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda roda de funk mais significativa foi organizada na carceragem da 52ª DP em Nova Iguaçu no dia 05/10/2008, em comemoração à vitória do projeto Carceragem Cidadã em garantir pela primeira vez no Brasil o direito constitucional de voto do preso provisório. Desenvolvido pelo delegado Orlando Zaccone, o projeto tem levado várias iniciativas culturais para dentro da carceragem (cineclube, debates, oficinas, biblioteca etc). Apesar de dividida em duas celas com presos de facções inimigas, durante a roda de funk os MCs não respeitaram essas barreiras e cantaram para todos, mesmo sendo oriundos de áreas controladas por grupos inimigos dos encarcerados. Trata-se de um feito inédito e que, mais uma vez, demonstra a potencialidade da produção cultural de construir novas formas de sociabilidade e afirmações identitárias mais positivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MC William do Borel (área identificada ao Comando Vermelho) cantando na cela&lt;br /&gt;do Terceiro Comando Puro (facção rival)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, a terceira das rodas citadas ocorreu na quadra da escola de samba Corações Unidos do Amarelinho, em Acari. Organizada pelo Movimento Funk é Cultura, pelo Observatório da Indústria Cultural, pelo Centro Social Futuro Feliz e por lideranças comunitárias de Acari, o evento reuniu mais de mil pessoas numa tarde chuvosa de domingo. No microfone e nas picapes, MCs e DJs de Acari e de outras favelas se revezavam, mais uma vez, rompendo com os interditos que impedem a livre circulação da população favelada em áreas de facções criminosas rivais. Músicas sem pornografia e nem apologia ao crime foram apresentadas, demonstrando que a poesia da favela é produzida em larga escala e que precisa de canais para sua livre expressão. Houve ainda apresentações de dança e de hip hop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crianças na quadra da escola de samba Corações Unidos do Amarelinho&lt;br /&gt;participando da roda de funk&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por demanda das lideranças comunitárias, de produtores culturais de Acari e da diretora do CIEP local, será realizado um Festival de funk e hip hop na comunidade no final de novembro.&lt;br /&gt;Esses exemplos demonstram a importância da produção cultural nesses espaços e conferem relevância ao projeto do Curso de Formação de Agentes Culturais Populares, pois, a partir dele, tais iniciativas poderão se multiplicar e ganharem uma maior organização, capaz de potencializar seus efeitos.&lt;br /&gt;Além desses fatores, o projeto traz inovação ao trabalhar com a concepção de rede, capaz de permitir o empoderamento tanto de indivíduos quanto de coletividades numa direção comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OBJETIVOS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Objetivo geral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Estimular a formação e consolidação de redes que articulem as iniciativas culturais desenvolvidas nas favelas, com a intenção de criar condições para a produção e fruição de bens culturais em espaços populares, com base numa lógica inclusiva, respeitando a diversidade e pluralidade da cultura popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Objetivos específicos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;• Qualificar/capacitar 30 agentes culturais através do curso de formação, que combina momentos de estudo de teorias e troca de experiências práticas, com a perspectiva de contribuir na construção de alternativas de geração de emprego e renda para os moradores dos espaços populares;&lt;br /&gt;• Realizar com os educandos do curso o festival “Fala Favela” na UFF para fomentar e divulgar as produções culturais das favelas, através de concursos, mostras, palestras, exposições, etc.;&lt;br /&gt;• Produzir com os educandos do curso o programa-piloto “Fala Favela”, sendo uma versão para a rádio comunitária Araribóia (Morro do Estado- Niterói) e uma para a TV universitária da UFF;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;METAS E RESULTADOS ESPERADOS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperamos qualificar 30 agentes culturais com vistas à formação de uma rede de produtores culturais em/de favelas, capacitando esses empreendedores culturais para captação de recursos e desenvolvimento de projetos culturais auto-sustentáveis.&lt;br /&gt;Como produtos, propomos: &lt;br /&gt;1. Elaboração dos programas-piloto “Fala Favela” (rádio comunitária e TV Universitária);&lt;br /&gt;2. Realização do festival “Fala Favela” na UFF;&lt;br /&gt;3. Construção de veiculo eletrônico que seja um instrumento de articulação e difusão de uma rede de produtores culturais das favelas;&lt;br /&gt;4. Publicação de um artigo produzido pela equipe do projeto analisando seu desenvolvimento e resultado, a ser publicado em periódico acadêmico;&lt;br /&gt;5. Publicação de textos dos alunos em número especial da Revista ContraCultura (www.uff.br/revistacontracultura) e no blog do Observatório da Indústria Cultural (http://oicult.blogspot.com)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;METODOLOGIA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira etapa do projeto, com duração de 3 meses, será a da pesquisa para um mapeamento inicial da produção cultural nas seguintes favelas: Acari, Morro do Estado, Cidade de Deus, Brasília (São Gonçalo), Morro do Borel, Rocinha. O mapeamento será realizado em parceria com lideranças comunitárias e produtores culturais dessas localidades, com os quais já estabelecemos relações por meio das iniciativas descritas no item Justificativa do projeto. Com isso, poderemos selecionar de forma criteriosa e participativa os educandos do curso, bem como subsidiar os conteúdos das aulas.&lt;br /&gt;A segunda etapa será o curso, com duração de 3 meses, de acordo com a grade de disciplinas e a carga horária propostas abaixo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curso de Formação de Agentes Culturais Populares&lt;br /&gt;Disciplina Duração/horas&lt;br /&gt;Cultura brasileira 4&lt;br /&gt;Economia da cultura 4&lt;br /&gt;Teoria da Cultura 4&lt;br /&gt;Gestão cultural  4&lt;br /&gt;Introdução à produção cultural 4&lt;br /&gt;Marketing cultural 4&lt;br /&gt;Patrimônio cultural 4&lt;br /&gt;Políticas culturais 4&lt;br /&gt;Comunicação popular 4&lt;br /&gt;Projeto cultural 8&lt;br /&gt;Prática 40&lt;br /&gt;Total de horas 84&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As aulas teóricas serão semanais, totalizando 12 encontros, com duração de 4 horas cada, ministradas por especialistas das áreas. Elas deverão articular os conteúdos necessários para o cumprimento dos objetivos do projeto com as experiências em produção cultural trazidas pelos educandos, reservando metade do tempo de aula para debates e trocas acerca dessas experiências.&lt;br /&gt;Ao longo do curso, somando-se a essas aulas teóricas, desenvolveremos atividades práticas para a produção dos programas-piloto Fala Favela para a rádio comunitária Araribóia, localizada no Morro do Estado (Niterói), e para a TV Universitária. Essas experiências práticas de produção cultural funcionarão como oficinas.&lt;br /&gt;A terceira etapa, de 4 meses de duração, compreenderá: 1. elaboração do projeto para captação de recursos; 2. produção do Festival Fala Favela.&lt;br /&gt;A quarta e última etapa, com duração de 2 meses, consistirá na avaliação do projeto pelos educandos e pela equipe. Como resultado, teremos a elaboração do relatório final, do artigo para publicação acadêmica, dos textos dos educandos sobre o desenvolvimento do projeto e disponibilização do veículo eletrônico capaz de auxiliar na construção de uma rede de produção cultural das favelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PÚBLICO-ALVO: Jovens e adultos produtores culturais de espaços populares (prioritariamente favelas). Levar em consideração a promoção da igualdade de gênero, buscando garantir a participação de 50% de mulheres, e a promoção da igualdade racial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nº. DE PESSOAS BENEFICIADAS: 30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MUNICÍPIOS BENEFICIADOS: NITERÓI, RIO DE JANEIRO e SÃO GONÇALO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EVENTO PERÍODO OBSERVAÇÕES&lt;br /&gt;Mapeamento da produção cultural em favelas&lt;br /&gt;Jan, fev e março de 2009&lt;br /&gt;Curso de Formação de Agentes Culturais em Favelas&lt;br /&gt;Abril, maio e junho de 2009&lt;br /&gt;Elaboração do relatório parcial das atividades com informações do projeto quando da realização de 50% das atividades planejadas. Esse relatório deve conter os dados da execução das suas etapas, cumprimento de metas e alcance de objetivos. Deve também o relatório abordar as dificuldades encontradas e soluções e alternativas adotadas. Maio de 2009&lt;br /&gt;Elaboração do projeto para captação de recursos e produção do Festival Fala Favela.&lt;br /&gt;Julho, ag, set, outubro de 2009&lt;br /&gt;Avaliação do projeto pelos educandos e pela equipe. Elaboração do relatório final.&lt;br /&gt;Elaboração do artigo para publicação acadêmica, dos textos dos educandos sobre o desenvolvimento do projeto e disponibilização do veículo eletrônico capaz de auxiliar na construção de uma rede de produção cultural das favelas Julho de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novembro e dezembro de 2009 Por causa do que consta no edital, o relatório final será elaborado antes do término da execução do projeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ACOMPANHAMENTO E AVALIAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INDICADORES:&lt;br /&gt;N° de participantes concluintes&lt;br /&gt;% de evasão.&lt;br /&gt;% de faltas&lt;br /&gt;% de participantes satisfeitos&lt;br /&gt;Relatórios de percepção dos participantes e dos facilitadores,&lt;br /&gt;Relatórios de avaliação final das Atividades.&lt;br /&gt;Documento com compilação de breves relatos dos participantes ao final das atividades previstas;&lt;br /&gt;Produtos que serão realizados pelos participantes durante a proposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SISTEMÁTICA:&lt;br /&gt;O período destinado a avaliação será o mesmo de duração do projeto, pois o método que utilizamos tem como principio fundamental a qualidade e a democracia, que se expressam no estimulo a práticas de avaliação coletivas e permanentes.&lt;br /&gt;Além dos relatórios detalhados das atividades elaborados pela equipe, produziremos documentos com as avaliações dos alunos, elaborados a partir da aplicação de questionários individuais e de um seminário de avaliação coletivo sobre os objetivos alcançados pelo curso.&lt;br /&gt;Ao final de cada aula será aberto um breve momento para que educadores e educandos possam expressar, da mais diversa forma possível, a sua percepção sobre o processo de formação, contribuindo assim para que ambos possam refletir sobre a sal prática e sobre o papel deste processo para a formação de ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INFRA-ESTRUTURA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A infra-estrutura oferecida pela universidade consiste em: recursos humanos (equipe executora do projeto); espaço físico para as aulas e demais atividades do projeto; equipamentos de som, vídeo, etc; alimentação dos educandos no bandejão; TV Universitária; hospedagem de homepage; revista eletrônica ContraCultura; computador e impressora para a secretaria do curso. A rádio comunitária Araribóia disponibiliza suas instalações e equipe técnica para a realização do programa-piloto Fala Favela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a exposição&lt;br /&gt;1. MAPEAMENTO DA PRODUÇÃO CULTURAL EM FAVELAS&lt;br /&gt;Rubrica/item  Unidade Quantidade Valor Unitário Valor total (R$)&lt;br /&gt;Bolsa (outros serviços de terceira- pessoa física) Mês 4 300,00  1.200,00&lt;br /&gt;Bolsa (outros serviços de terceira- pessoa física) Mês 4 300,00  1.200,00&lt;br /&gt;Passagens e Deslocamento Diária/passagem (ida e volta) 144 5,00  720,00&lt;br /&gt;Caderno (Material de Consumo) Caderno 4             10,00  40,00&lt;br /&gt;Gravador mp4(Bens de capital) Gravador 2           200,00  400,00&lt;br /&gt;Laptop (Bens de capital) Computador 1        3.000,00  3.000,00&lt;br /&gt;Cartuchos de impressora (Material de Consumo) Cartucho/tinta 10             80,00  800,00&lt;br /&gt;CD(Material de Consumo) Unidade 100               1,00  100,00&lt;br /&gt;Total       7.460,00&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. PROCESSOE DE ARTICULAÇÃO MOBILIZAÇÃO (é importante para garantir que o desenvolvimento das atividades, de modo a garantir um envolvimento maior de outros atores institucionais ou não, e para que a participação dos educandos seja marcada pela diversidade)&lt;br /&gt;Rubrica/item Unidade Quantidade Valor Unitário Valor total (R$)&lt;br /&gt;Cartaz (Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica) Unidade 500 0,90  450,00&lt;br /&gt;Transporte/deslocamento Passagem 240 5,00  1.200,00&lt;br /&gt;Panfletos: folder e filipetas Unidade 1000  0,40  400,00&lt;br /&gt;Total       2.050,00&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. CURSO DE FORMAÇÃO DE AGENTES CULTURAIS EM FAVELAS para 30 pessoas (172 horas) 12 meses 3 meses para as aulas e todo o período para prática acompanhada.&lt;br /&gt;Rubrica/item Unidade Quantidade Valor Unitário Valor total (R$)&lt;br /&gt;Pasta (Material de Consumo)   30               1,50  45,00&lt;br /&gt;Caneta (Material de Consumo) Caneta 30               1,50  45,00&lt;br /&gt;Caderno (Material de Consumo) Caderno 30               8,00  240,00&lt;br /&gt;Papel (Material de Consumo) Resma 30             15,00  450,00&lt;br /&gt;Fotocópias (textos, projetos, de material para divulgação) Cópias  18000               0,20  3.600,00&lt;br /&gt;Transporte/deslocamento dos educandos Passagem (ida e volta) 990 5,00  4.950,00&lt;br /&gt;Cartuchos de impressora (Material de Consumo) Cartucho/tinta 10             75,00  750,00&lt;br /&gt;CD(Material de Consumo) Unidade 100               1,00  100,00&lt;br /&gt;Total                    10.180,00&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. PRÁTICA&lt;br /&gt;Rubrica/item Unidade Quantidade Valor Unitário Valor total (R$)&lt;br /&gt;Publicação impressa (Bens de capital) Livros 20    600,00&lt;br /&gt;Transporte/deslocamento Passagem 120 R$ 3,00  360,00&lt;br /&gt;Total 960,00&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. MEMÓRIA E REGISTRO DO PROJETO&lt;br /&gt;Rubrica/item Unidade Quantidade Valor Unitário Valor total (R$)&lt;br /&gt;Fitas para filmadora (Material de Consumo) Fita 30 R$ 20,00  600,00&lt;br /&gt;Total 600,00&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6.  FESTIVAL FALA FAVELA&lt;br /&gt;Rubrica/item Unidade Quantidade Valor Unitário Valor total (R$)&lt;br /&gt;Aluguel de som, e iluminação (Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica) Dia 3        1.200,00  3.600,00&lt;br /&gt;Deslocamento/transporte (Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica) Van 2           400,00  800,00&lt;br /&gt;Cartaz(Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica) Unidade 500               0,90  450,00&lt;br /&gt;Folder(Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica) Folder 500               0,50  250,00&lt;br /&gt;Gravação de um CD com10 faixas (Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica) Faixa (música) 10           170,00  1.700,00&lt;br /&gt;Reprodução dos CD's (Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica) CD 500               2,00  1.000,00&lt;br /&gt;Bolsa para a produção do festival (outros serviços de terceira- pessoa física) Mês 2           300,00  600,00&lt;br /&gt;Total       8.400,00&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meta Valor total (R$)&lt;br /&gt;1. MAPEAMENTO DA PRODUÇÃO CULTURAL EM FAVELAS 7.460,00&lt;br /&gt;2. PROCESSOE DE ARTICULAÇÃO MOBILIZAÇÃO 2.050,00&lt;br /&gt;3. CURSO DE FORMAÇÃO DE AGENTES CULTURAIS EM FAVELAS 10.180,00&lt;br /&gt;4. PRÁTICA 960,00&lt;br /&gt;5. MEMÓRIA E REGISTRO DO PROJETO                     600,00&lt;br /&gt;6. FESTIVAL FALA FAVELA 8.400,00&lt;br /&gt;Total  29.650,00&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ADORNO, Theodor. “A indústria cultural”. In: COHN, Gabriel (org.). Theodor&lt;br /&gt;Adorno. São Paulo, Ática, 1986 (Col. Grandes Cientistas Sociais)..&lt;br /&gt;______. Indústria cultural e sociedade. São Paulo, Paz e Terra, 2002.&lt;br /&gt;ALVITO, Marcos. As cores de Acari. Uma favela carioca. Rio de Janeiro, FGV, 2001.&lt;br /&gt;BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo, HUCITEC,1979.&lt;br /&gt;BECKER, Howard S. Uma teoria da ação coletiva. 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São Paulo, Boitempo. 2000.&lt;br /&gt;EAGLETON, Terry. A idéia de cultura. São Paulo, Unesp. 2005.&lt;br /&gt;ELIAS, Norbert.. O processo civilizador. Uma história dos costumes. Rio de Janeiro, Jorge&lt;br /&gt;Zahar, 1990&lt;br /&gt;FACINA, Adriana. 2004. Literatura e sociedade. Rio de Janeiro, Jorge Zahar.&lt;br /&gt;FERRÉZ. Capão pecado. Rio de Janeiro, Objetiva, 2005.&lt;br /&gt;GANS, Herbert J..Popular culture and high culture. An analysis and evaluation of taste.&lt;br /&gt;New York, Basic Book. 1974.&lt;br /&gt;¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬HALL, Stuart.2003. Da diáspora. Identidades e mediações culturais. Belo Horizonte, Ed.&lt;br /&gt;UFMG.&lt;br /&gt;HERSCHMANN, Micael. O funk e o hip-hop invadem a cena. Rio de Janeiro, Ed.UFRJ,&lt;br /&gt;2000.&lt;br /&gt;_______. Lapa: cidade da música. Rio de Janeiro, Mauad X, 2007.&lt;br /&gt;HOGGART, Richard. The uses of literacy. Aspects of working-class life with reference to&lt;br /&gt;publications and entertainments. 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São Paulo, Boitempo. 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________________________________&lt;br /&gt;Coordenador&lt;br /&gt;(assinar e datar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;______________________________________&lt;br /&gt;Pró-Reitor de Extensão (assinar e datar)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-1889970044756666279?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/1889970044756666279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=1889970044756666279' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/1889970044756666279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/1889970044756666279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2008/12/o-projeto-em-que-vamos-atuar.html' title='O Projeto em que vamos atuar'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_IwK76splDDQ/So8hQvEURzI/AAAAAAAADdQ/fmhUUJBlTas/S220/IMG_8013.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-9158893047211059874</id><published>2008-12-22T17:14:00.000-08:00</published><updated>2009-07-23T07:30:27.381-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='acari'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='projeto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reunião'/><title type='text'>Helena e Acari</title><content type='html'>Hoje nos reunimos no café do Odeon, na Cinelândia, e conversamos com a professora Adriana Facina, da UFF, com o Deley, líder comunitário da favela de Acari,  e com o Mardônio, do MST, sobre a possibilidade de começarmos o trabalho de discussão da obra do Machado na comunidade de Acari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia é trabalharmos junto ao projeto de extensão universitária elaborado pela professora Adriana, que visa a formação de agentes culturais de favelas, através de cursos e oficinas direcionadas à pessoas que já organizam atividades culturais em suas respectivas comunidades. O objetivo é interagir com essas pessoas de modo a colocar ao seu alcance novos instrumentos possíveis para a elaboração de diferentes manifestações artísticas, culturais e também políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A próxima reunião do grupo será dia 6 de janeiro, às 16h na favela de Acari. O ponto de encontro será a Estação Estácio do Metrô, na plataforma para a linha 2 às 15 horas para irmos todos juntos. Vamos debater mais profundamente o projeto e as formas de atuação do nosso grupo junto a ele, e aproveitar pra conhecer a comunidade e o pessoal de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Lembrando que, durante as férias, combinamos de ler&lt;span style="font-style: italic;"&gt; Helena&lt;/span&gt;, que vai ser discutido em breve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-9158893047211059874?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/9158893047211059874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=9158893047211059874' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/9158893047211059874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/9158893047211059874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2008/12/helena-e-acari.html' title='Helena e Acari'/><author><name>Bárbara Araújo Machado.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05290580558955572315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SeppVsnwnlI/AAAAAAAAAJk/80Gfe6nHmmE/S220/cinema_ruinas.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-1878153362112452694</id><published>2008-12-10T12:01:00.001-08:00</published><updated>2008-12-10T12:04:47.875-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>O Capítulo dos Chapéus</title><content type='html'>Essa semana debatemos no que provavelmente foi nosso último encontro na UFF esse ano "O Capítulo dos Chapéus", que discute, de modo geral, a questão das mulheres da elite do século XIX no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style=""&gt;Géronte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;Dans quel chapitre, s'il vous plaît?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;Sganarelle&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;Dans le chapitre des chapeaux.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;MOLIÈRE.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt; &lt;p&gt;MUSA, CANTA o despeito de Mariana, esposa do bacharel Conrado Seabra, naquela manhã de abril de 1879. Qual a causa de tamanho alvoroço? Um simples chapéu, leve, não deselegante, um chapéu baixo. Conrado, advogado, com escritório na rua da Quitanda, trazia-o todos os dias à cidade, ia com ele às audiências; só não o levava às recepções, teatro lírico, enterros e visitas de cerimônia. No mais era constante, e isto desde cinco ou seis anos, que tantos eram os do casamento. Ora, naquela singular manhã de abril, acabado o almoço, Conrado começou a enrolar um cigarro, e Mariana anunciou sorrindo que ia pedir-lhe uma cousa. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Que é, meu anjo? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Você é capaz de fazer-me um sacrifício? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Dez, vinte... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Pois então não vá mais à cidade com aquele chapéu. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Por quê? é feio? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não digo que seja feio; mas é cá para fora, para andar na vizinhança, à tarde ou à noite, mas na cidade, um advogado, não me parece que... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Que tolice, iaiá! &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Pois sim, mas faz-me este favor, faz? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Conrado riscou um fósforo, acendeu o cigarro, e fez-lhe um gesto de gracejo, para desconversar; mas a mulher teimou. A teima, a princípio frouxa e súplice, tornou-se logo imperiosa e áspera. Conrado ficou espantado. Conhecia a mulher; era, de ordinário, uma criatura passiva, meiga, de uma plasticidade de encomenda, capaz de usar com a mesma divina indiferença tanto um diadema régio como uma touca. A prova é que, tendo tido uma vida de andarilha nos últimos dous anos de solteira, tão depressa casou como se afez aos hábitos quietos. Saía às vezes, e a maior parte delas por instâncias do próprio consorte; mas só estava comodamente em casa. Móveis, cortinas, ornatos supriam-lhe os filhos; tinha-lhes um amor de mãe; e tal era a concordância da pessoa com o meio, que ela saboreava os trastes na posição ocupada, as cortinas com as dobras do costume, e assim o resto. Uma das três janelas, por exemplo, que davam para a rua vivia sempre meia aberta; nunca era outra. Nem o gabinete do marido escapava às exigências monótonas da mulher, que mantinha sem alteração a desordem dos livros, e até chegava a restaurá-la. Os hábitos mentais seguiam a mesma uniformidade. Mariana dispunha de mui poucas noções, e nunca lera senão os mesmo livros: - a &lt;i&gt;Moreninha &lt;/i&gt;de Macedo, sete vezes; &lt;i&gt;Ivanhoé&lt;/i&gt; e o &lt;i&gt;Pirata &lt;/i&gt;de Walter Scott, dez vezes; o &lt;i&gt;Mot de l'énigme&lt;/i&gt;, de &lt;i&gt;Madame&lt;/i&gt; Craven, onze vezes. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isto posto, como explicar o caso do chapéu? Na véspera, à noite, enquanto o marido fora a uma sessão do Instituto da Ordem dos Advogados, o pai de Mariana veio à casa deles. Era um bom velho, magro, pausado, ex-funcionário público, ralado de saudades do tempo em que os empregados iam de casaca para as suas repartições. Casaca era o que ele, ainda agora, levava aos enterros, não pela razão que o leitor suspeita, a solenidade da morte ou a gravidade da despedida última, mas por esta menos filosófica, por ser um costume antigo. Não dava outra, nem da casaca nos enterros, nem do jantar às duas horas, nem de vinte usos mais. E tão aferrado aos hábitos, que no aniversário do casamento da filha, ia para lá às seis horas da tarde, jantado e digerido, via comer, e no fim aceitava um pouco de doce, um cálix de vinho e café. Tal era o sogro de Conrado; como supor que ele aprovasse o chapéu baixo do genro? Suportava-o calado, em atenção às qualidades da pessoa; nada mais. Acontecera-lhe, porém, naquele dia, vê-lo de relance na rua, de palestra com outros chapéus altos de homens públicos, e nunca lhe pareceu tão torpe. De noite, encontrando a filha sozinha, abriu-lhe o coração; pintou-lhe o chapéu baixo como a abominação das abominações, e instou com ela para que o fizesse desterrar. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Conrado ignorava essa circunstância, origem do pedido. Conhecendo a docilidade da mulher, não entendeu a resistência; e, porque era autoritário, e voluntarioso, a teima veio irritá-lo profundamente. Conteve-se ainda assim; preferiu mofar do caso; falou-lhe com tal ironia e desdém, que a pobre dama sentiu-se humilhada. Mariana quis levantar-se duas vezes; ele obrigou-a a ficar, a primeira pegando-lhe levemente no pulso, a segunda subjugando-a com o olhar. E dizia sorrindo: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Olhe, iaiá, tenho uma razão filosófica para não fazer o que você me pede. Nunca lhe disse isto; mas já agora confio-lhe tudo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mariana mordia o lábio, sem dizer mais nada; pegou de uma faca, e entrou a bater com ela devagarinho para fazer alguma cousa; mas, nem isso mesmo consentiu o marido, que lhe tirou a faca delicadamente, e continuou: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- A escolha do chapéu não é uma ação indiferente, como você pode supor; é regida por um princípio metafísico. Não cuide que quem compra um chapéu exerce uma ação voluntária e livre; a verdade é que obedece a um determinismo obscuro. A ilusão da liberdade existe arraigada nos compradores, e é mantida pelos chapeleiros que, ao verem um freguês ensaiar trinta ou quarenta chapéus, e sair sem comprar nenhum, imaginam que ele está procurando livremente uma combinação elegante. O princípio metafísico é este: - o chapéu é a integração do homem, um prolongamento da cabeça, um complemento decretado &lt;i&gt;ab æterno&lt;/i&gt;; ninguém o pode trocar sem mutilação. É uma questão profunda que ainda não ocorreu a ninguém. Os sábios têm estudado tudo desde o astro até o verme, ou, para exemplificar bibliograficamente, desde Laplace... Você nunca leu Laplace? desde Laplace e a &lt;i&gt;Mecânica Celeste&lt;/i&gt; até Darwin e o seu curioso livro das &lt;i&gt;Minhocas&lt;/i&gt;, e, entretanto, não se lembraram ainda de parar diante do chapéu e estudá-lo por todos os lados. Ninguém advertiu que há uma metafísica do chapéu. Talvez eu escreva uma memória a este respeito. São nove horas e três quartos; não tenho tempo de dizer mais nada; mas você reflita&lt;br /&gt;consigo, e verá... Quem sabe? pode ser até que nem mesmo o chapéu seja complemento do homem, mas o homem do chapéu... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mariana venceu-se afinal, e deixou a mesa. Não entendera nada daquela nomenclatura áspera nem da singular teoria; mas sentiu que era um sarcasmo, e, dentro de si, chorava de vergonha. O marido subiu para vestir-se; desceu daí a alguns minutos, e parou diante dela com o famoso chapéu na cabeça. Mariana achou-lho, na verdade, torpe, ordinário, vulgar, nada sério. Conrado despediu-se cerimoniosamente e saiu. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A irritação da dama tinha afrouxado muito; mas, o sentimento de humilhação subsistia. Mariana não chorou, não clamou, como supunha que ia fazer; mas, consigo mesma, recordou a simplicidade do pedido, os sarcasmos de Conrado, e, posto reconhecesse que fora um pouco exigente, não achava justificação para tais excessos. Ia de um lado para outro, sem poder parar; foi à sala de visitas, chegou à janela meia aberta, viu ainda o marido, na rua, à espera do &lt;i&gt;bond&lt;/i&gt;, de costas para casa, com o eterno e torpíssimo chapéu na cabeça. Mariana sentiu-se tomada de ódio contra essa peça ridícula; não compreendia como pudera suportá-la por tantos anos. E relembrava os anos, pensava na docilidade dos seus modos, na aquiescência a todas as vontades e caprichos do marido, e perguntava a si mesma se não seria essa justamente a causa do excesso daquela manhã. Chamava-se tola, moleirona; se tivesse feito como tantas outras, a Clara e a Sofia, por exemplo, que tratavam os maridos como eles deviam ser tratados, não lhe aconteceria nem metade nem uma sombra do que lhe aconteceu. De reflexão em reflexão, chegou à idéia de sair. Vestiu-se, e foi à casa da Sofia, uma antiga companheira de colégio, com o fim de espairecer, não de lhe contar nada. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sofia tinha trinta anos, mais dous que Mariana. Era alta, forte, muito senhora de si. Recebeu a amiga com as festas do costume; e, posto que esta lhe não dissesse nada, adivinhou que trazia um desgosto e grande. Adeus, planos de Mariana! Daí a vinte minutos contava-lhe tudo. Sofia riu dela, sacudiu os ombros; disse-lhe que a culpa não era do marido. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Bem sei, é minha, concordava Mariana. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não seja tola, iaiá! Você tem sido muito mole com ele. Mas seja forte uma vez; não faça caso; não lhe fale tão cedo; e se ele vier fazer as pazes, diga-lhe que mude primeiro de chapéu. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Veja você, uma cousa de nada... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- No fim de contas, ele tem muita razão; tanta como outros. Olhe a pamonha da Beatriz; não foi agora para a roça, só porque o marido implicou com um inglês que costumava passar a cavalo de tarde? Coitado do inglês! Naturalmente nem deu pela falta. A gente pode viver bem com seu marido, respeitando-se, não indo contra os desejos um do outro, sem pirraças, nem despotismo. Olhe; eu cá vivo muito bem com o meu Ricardo; temos muita harmonia. Não lhe peço uma cousa que ele me não faça logo; mesmo quando não tem vontade nenhuma, basta que eu feche a cara, obedece logo. Não era ele que teimaria assim por causa de um chapéu! Tinha que ver! Pois não! Onde iria ele parar! Mudava de chapéu, quer quisesse, quer não. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mariana ouvia com inveja essa bela definição do sossego conjugal. A rebelião de Eva embocava nela os seus clarins; e o contacto da amiga dava-lhe um prurido de independência e vontade. Para completar a situação, esta Sofia não era só muito senhora de si, mas também dos outros; tinha olhos para todos os ingleses, a cavalo ou a pé. Honesta, mas namoradeira; o termo é cru, e não há tempo de compor outro mais brando. Namorava a torto e a direito, por uma necessidade natural, um costume de solteira. Era o troco miúdo do amor, que ela distribuía a todos os pobres que lhe batiam à porta: - um níquel a um, outro a outro; nunca uma nota de cinco mil-réis, menos ainda uma apólice. Ora este sentimento caritativo induziu-a a propor à amiga que fossem passear, ver as lojas, contemplar a vista de outros chapéus bonitos e graves. Mariana aceitou; um certo demônio soprava nela as fúrias da vingança. Demais, a amiga tinha o dom de fascinar, virtude de Bonaparte, e não lhe deu tempo de refletir. Pois sim, iria, estava cansada de viver cativa. Também queria gozar um pouco, etc., etc. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto Sofia foi vestir-se, Mariana deixou-se estar na sala, irrequieta e contente consigo mesma. Planeou a vida de toda aquela semana, marcando os dias e horas de cada cousa, como numa viagem oficial. Levantava-se, sentava-se, ia à janela, à espera da amiga. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sofia parece que morreu, dizia de quando em quando. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;De uma das vezes que foi à janela, viu passar um rapaz a cavalo. Não era inglês, mas lembrou-lhe a outra, que o marido levou para a roça, desconfiado de um inglês, e sentiu crescer-lhe o ódio contra a raça masculina - com exceção, talvez, dos rapazes a cavalo. Na verdade, aquele era afetado demais; esticava a perna no estribo com evidente vaidade das botas, dobrava a mão na cintura, com um ar de figurino. Mariana notou-lhe esses dous defeitos; mas achou que o chapéu resgatava-os; não que fosse um chapéu alto; era baixo, mas próprio do aparelho eqüestre. Não cobria a cabeça de um advogado indo gravemente para o escritório, mas a de um homem que espairecia ou matava o tempo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os tacões de Sofia desceram a escada, compassadamente. Pronta! disse ela daí a pouco, ao entrar na sala. Realmente, estava bonita. Já sabemos que era alta. O chapéu aumentava-lhe o ar senhoril; e um diabo de vestido de seda preta, rredondando-lhe as formas do busto, fazia-a ainda mais vistosa. Ao pé dela, a figura de Mariana desaparecia um pouco. Era preciso atentar primeiro nesta para ver que possuía feições mui graciosas, uns olhos lindos, muita e natural elegância. O pior é que a outra dominava desde logo; e onde houvesse pouco tempo de as ver, tomava-o Sofia para si. Este reparo seria incompleto, se eu não acrescentasse que Sofia tinha consciência da superioridade, e que apreciava por isso mesmo as belezas do gênero  Mariana, menos derramadas e aparentes. Se é um defeito, não me compete emendá-lo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Onde vamos nós? perguntou Mariana. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Que tolice! vamos passear à cidade... Agora me lembro, vou tirar o retrato; depois vou ao dentista. Não; primeiro vamos ao dentista. Você não precisa de ir ao dentista? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Nem tirar o retrato? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Já tenho muitos. E para quê? para dá-lo "àquele senhor"? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sofia compreendeu que o ressentimento da amiga persistia, e, durante o caminho, tratou de lhe pôr um ou dous bagos mais de pimenta. Disse-lhe que, embora fosse difícil, ainda era tempo de libertar-se. E ensinava-lhe um método para subtrair-se à tirania. Não convinha ir logo de um salto, mas devagar, com segurança, de maneira que ele desse por si quando ela lhe pusesse o pé no pescoço. Obra de algumas semanas, três a quatro, não mais. Ela, Sofia, estava pronta a ajudá-la. E repetia-lhe que não fosse mole, que não era escrava de ninguém, etc. Mariana ia cantando dentro do coração a marselhesa do matrimônio. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Chegaram à Rua do Ouvidor. Era pouco mais do meio-dia. Muita gente, andando ou parada, o movimento do costume. Mariana sentiu-se um pouco atordoada, como sempre lhe acontecia. A uniformidade e a placidez, que eram o fundo do seu caráter e de sua vida, receberam daquela agitação os repelões do costume. Ela mal podia andar por entre os grupos, menos ainda sabia onde fixasse os olhos, tal era a confusão das gentes, tal era a variedade das lojas. Conchegava-se muito à amiga, e, sem reparar que tinham passado a casa do dentista, ia ansiosa de lá entrar. Era um repouso; era alguma cousa melhor do que o tumulto. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Esta Rua do Ouvidor! ia dizendo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Sim? respondia Sofia, voltando a cabeça para ela e os olhos para um rapaz que estava na outra calçada. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sofia, prática daqueles mares, transpunha, rasgava ou contornava as gentes com muita perícia e tranqüilidade. A figura impunha; os que a conheciam gostavam de vê-la outra vez; os que não a conheciam paravam ou voltavam-se para admirar-lhe o garbo. E a boa senhora, cheia de caridade, derramava os olhos à direita e à esquerda, sem grande escândalo, porque Mariana servia a coonestar os movimentos. Nada dizia seguidamente; parece até que mal ouvia as respostas da outra; mas falava de tudo, de outras damas,  que iam ou vinham, de uma loja, de um chapéu... Justamente os chapéus, - de senhora ou de homem, - abundavam naquela primeira hora da Rua do Ouvidor. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Olha este, dizia-lhe Sofia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;E Mariana acudia a vê-los, femininos ou masculinos, sem saber onde ficar, porque os demônios dos chapéus sucediam-se como num caleidoscópio. Onde era o dentista? perguntava ela à amiga. Sofia só à segunda vez lhe respondeu que tinham passado a casa; mas já agora iriam até ao fim da rua; voltariam depois. Voltaram finalmente. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Uf! respirou Mariana entrando no corredor. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Que é, meu Deus? Ora você! Parece da roça... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A sala do dentista tinha já algumas freguesas. Mariana não achou entre elas uma só cara conhecida, e para fugir ao exame das pessoas estranhas, foi para a janela. Da janela podia gozar a rua, sem atropelo. Recostou-se; Sofia veio ter com ela. Alguns chapéus masculinos, parados, começaram a fitá-las; outros, passando, faziam a mesma cousa. Mariana aborreceu-se da insistência; mas, notando que fitavam principalmente a amiga, dissolveu-se-lhe o tédio numa espécie de inveja. Sofia, entretanto, contava-lhe a história de alguns chapéus, - ou, mais corretamente, as aventuras. Um deles merecia os pensamentos de Fulana; outro andava derretido por Sicrana, e ela por ele, tanto que eram certos na Rua do Ouvidor às quartas e sábados, entre duas e três horas. Mariana ouvia aturdida. Na verdade, o chapéu era bonito, trazia uma linda gravata, e possuía um ar entre elegante e pelintra, mas... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não juro, ouviu? replicava a outra, mas é o que se diz. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mariana fitou pensativa o chapéu denunciado. Havia agora mais três, de igual porte e graça, e provavelmente os quatro falavam delas, e falavam bem. Mariana enrubesceu muito, voltou a cabeça para o outro lado, tornou logo à primeira atitude, e afinal entrou. Entrando, viu na sala duas senhoras recém-chegadas, e com elas um rapaz que se levantou prontamente e veio cumprimentá-la com muita cerimônia. Era o seu primeiro namorado. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Este primeiro namorado devia ter agora trinta e três anos. Andara por fora, na roça, na Europa, e afinal na presidência de uma província do sul. Era mediano de estatura, pálido, barba inteira e rara, e muito apertado na roupa. Tinha na mão um chapéu novo, alto, preto, grave, presidencial, administrativo, um chapéu adequado à pessoa e às ambições. Mariana, entretanto, mal pôde vê-lo. Tão confusa ficou, tão desorientada com a presença de um homem que conhecera em especiais circunstâncias, e a quem não vira desde 1877, que não pôde reparar em nada. Estendeu-lhe os dedos, parece mesmo que murmurou uma resposta qualquer, e ia tornar à janela, quando a amiga saiu dali. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sofia conhecia também o recém-chegado. Trocaram algumas palavras. Mariana, impaciente, perguntou-lhe ao ouvido se não era melhor adiar os dentes para outro dia; mas a amiga disse-lhe que não; negócio de meia hora a três quartos. Mariana sentia-se opressa: a presença de um tal homem atava-lhe os sentidos, lançava-a na luta e na confusão. Tudo culpa do marido. Se ele não teimasse e não caçoasse com ela, ainda em cima, não aconteceria nada. E Mariana, pensando assim, jurava tirar uma desforra. De memória contemplava a casa, tão sossegada, tão bonitinha, onde podia estar agora, como de costume, sem os safanões da rua, sem a dependência da amiga... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Mariana, disse-lhe esta, o Dr. Viçoso teima que está muito magro. Você não acha que está mais gordo do que no ano passado?... Não se lembra dele no ano passado? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dr. Viçoso era o próprio namorado antigo, que palestrava com Sofia, olhando muitas vezes para Mariana. Esta respondeu negativamente. Ele aproveitou a fresta, para puxá-la à conversação; disse que, na verdade, não a vira desde alguns anos. E sublinhava o dito com um certo olhar triste e profundo. Depois abriu o estojo dos assuntos, sacou para fora o teatro lírico. Que tal achavam a companhia? Na opinião dele era excelente, menos o barítono; o barítono parecia-lhe cansado. Sofia protestou contra o cansaço do barítono, mas ele insistiu, acrescentando que, em Londres, onde o ouvira pela primeira vez, já lhe parecera a mesma cousa. As damas, sim, senhora; tanto a soprano como a contralto eram de primeira ordem. E falou das óperas, citava os trechos, elogiou a orquestra, principalmente nos &lt;i&gt;Huguenotes&lt;/i&gt;... Tinha visto Mariana na última noite, no quarto ou quinto camarote da esquerda, não era verdade? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Fomos, murmurou ela, acentuando bem o plural. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- No Cassino é que a não tenho visto, continuou ele. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Está ficando um bicho do mato, acudiu Sofia rindo. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Viçoso gostara muito do último baile, e desfiou as suas recordações; Sofia fez o mesmo às dela. As melhores &lt;i&gt;toilettes&lt;/i&gt; foram descritas por ambos com muita particularidade; depois vieram as pessoas, os caracteres, dous ou três picos de malícia; mas tão anódina, que não fez mal a ninguém. Mariana ouvia-os sem interesse; duas ou três vezes chegou a levantar-se e ir à janela; mas os chapéus eram tantos e tão curiosos, que ela voltava a sentar-se. Interiormente, disse alguns nomes feios à amiga; não os ponho aqui por não serem necessários, e, aliás, seria de mau gosto desvendar o que esta moça pôde pensar da outra durante alguns minutos de irritação. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- E as corridas do Jockey Club? perguntou o ex-presidente. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mariana continuava a abanar a cabeça. Não tinha ido às corridas naquele ano. Pois perdera muito, a penúltima, principalmente; esteve animadíssima, e os cavalos eram de primeira ordem. As de Epsom, que ele vira, quando esteve em Inglaterra, não eram melhores do que a penúltima do Prado Fluminense. E Sofia dizia que sim, que realmente a penúltima corrida honrava o Jockey Club. Confessou que gostava muito; dava emoções fortes. A conversação descambou em dous concertos daquela semana; depois tomou a barca, subiu a serra e foi a Petrópolis, onde dous diplomatas lhe fizeram as despesas da estada. Como falassem da esposa de um ministro, Sofia lembrou-se de ser agradável ao ex-presidente, declarando-lhe que era preciso casar também porque em breve estaria no ministério. Viçoso teve um estremeção de prazer, e sorriu, e protestou que não; depois, com os olhos em Mariana, disse que provavelmente não casaria nunca... Mariana enrubesceu muito e levantou-se. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Você está com muita pressa, disse-lhe Sofia. Quantas são? continuou voltando-se para Viçoso. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Perto de três! exclamou ele. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Era tarde; tinha de ir à Câmara dos Deputados. Foi falar às duas senhoras, que acompanhara, e que eram primas suas, e despediu-se; vinha despedir-se das outras, mas Sofia declarou que sairia também. Já agora não esperava mais. A verdade é que a idéia de ir à Câmara dos Deputados começara a faiscar-lhe na cabeça. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Vamos à Câmara? propôs ela à outra. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não, não, disse Mariana; não posso, estou muito cansada. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Vamos, um bocadinho só; eu também estou muito cansada... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mariana teimou ainda um pouco; mas teimar contra Sofia, - a pomba discutindo com o gavião, - era realmente insensatez. Não teve remédio, foi. A rua estava agora mais agitada, as gentes iam e vinham por ambas as calçadas, e complicavam-se no cruzamento das ruas. De mais a mais, o obsequioso ex-presidente flanqueava as duas damas, tendo-se oferecido para arranjar-lhes uma tribuna. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;A alma de Mariana sentia-se cada vez mais dilacerada de toda essa confusão de cousas. Perdera o interesse da primeira hora; e o despeito, que lhe dera forças para um vôo audaz e fugidio, começava a afrouxar as asas, ou afrouxara-as inteiramente. E outra vez recordava a casa, tão quieta, com todas as cousas nos seus lugares, metódicas, respeitosas umas com as outras,&lt;br /&gt;fazendo-se tudo sem atropelo, e, principalmente, sem mudança imprevista. E a alma batia o pé, raivosa... Não ouvia nada do que o Viçoso ia dizendo, conquanto ele falasse alto, e muitas cousas fossem ditas para ela. Não ouvia, não queria ouvir nada. Só pedia a Deus que as horas andassem depressa. Chegaram à Câmara e foram para uma tribuna. O rumor das saias chamou a atenção de uns vinte deputados, que restavam, escutando um discurso de orçamento. Tão depressa o Viçoso pediu licença e saiu, Mariana disse rapidamente à amiga que não lhe fizesse outra. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Que outra? perguntou Sofia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Não me pregue outra peça como esta de andar de um lugar para outro feito maluca. Que tenho eu com a Câmara? que me importam discursos que não entendo? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sofia sorriu, agitou o leque e recebeu em cheio o olhar de um dos secretários. Muitos eram os olhos que a fitavam quando ela ia à Câmara, mas os do tal secretário tinham uma expressão mais especial, cálida e súplice. Entende-se, pois, que ela não o recebeu de supetão; pode mesmo entender-se que o procurou curiosa. Enquanto acolhia esse olhar legislativo ia respondendo à amiga, com brandura, que a culpa era dela, e que a sua intenção era boa, era restituir-lhe a posse de si mesma. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Mas, se você acha que a aborreço não venha mais comigo, concluiu Sofia. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;E, inclinando-se um pouco: &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Olhe o Ministro da Justiça. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mariana não teve remédio senão ver o Ministro da Justiça. Este agüentava o discurso do orador, um governista, que provava a conveniência dos tribunais correcionais, e, incidentemente, compendiava a antiga legislação colonial. Nenhum aparte; um silêncio resignado, polido, discreto e cauteloso. Mariana passeava os olhos de um lado para outro, sem interesse; Sofia dizia-lhe muitas cousas, para dar saída a uma porção de gestos graciosos. No fim de quinze minutos agitou-se a Câmara, graças a uma expressão do orador e uma réplica da oposição. Trocaram-se apartes, os segundos mais bravos que os primeiros, e seguiu-se um tumulto, que durou perto de um quarto de hora. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa diversão não o foi para Mariana, cujo espírito plácido e uniforme, ficou atarantado no meio de tanta e tão inesperada agitação. Ela chegou a levantar-se para sair; mas, sentou-se outra vez. Já agora estava disposta a ir ao fim, arrependida e resoluta a chorar só consigo as suas mágoas conjugais. A dúvida começou mesmo a entrar nela. Tinha razão no pedido ao marido; mas era caso de doer-se tanto? era razoável o espalhafato? Certamente que as ironias dele foram cruéis; mas, em&lt;br /&gt;suma, era a primeira vez que ela lhe batera o pé, e, naturalmente, a novidade irritou-o. De qualquer modo porém, fora um erro ir revelar tudo à amiga. Sofia iria talvez contá-lo a outras... Esta idéia trouxe um calafrio a Mariana; a indiscrição da amiga era certa; tinha-lhe ouvido uma porção de histórias de chapéus masculinos e femininos, cousa mais grave do que uma simples briga de casados. Mariana sentiu necessidade de lisonjeá-la, e cobriu a sua impaciência e zanga com uma máscara de docilidade hipócrita. Começou a sorrir também, a fazer algumas observações, a respeito de um ou outro deputado, e assim chegaram ao fim do discurso e da sessão. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eram quatro horas dadas. Toca a recolher, disse Sofia; e Mariana concordou que sim, mas sem impaciência, e ambas tornaram a subir a Rua do Ouvidor. A rua, a entrada no &lt;i&gt;bond&lt;/i&gt; completaram a fadiga do espírito de Mariana, que afinal respirou quando viu que ia caminho de casa. Pouco antes de apear-se a outra, pediu-lhe que guardasse segredo sobre o que lhe contara; Sofia prometeu que sim. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mariana respirou. A rola estava livre do gavião. Levava a alma doente dos encontrões, vertiginosa da diversidade de cousas e pessoas. Tinha necessidade de equilíbrio e saúde. A casa estava perto; à medida que ia vendo as outras casas e chácaras próximas, Mariana sentia-se restituída a si mesma. Chegou finalmente; entrou no jardim, respirou. Era aquele o seu mundo; menos um vaso, que o jardineiro trocara de lugar. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- João, bota este vaso onde estava antes, disse ela. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tudo o mais estava em ordem, a sala de entrada, a de visitas, a de jantar, os seus quartos, tudo. Mariana sentou-se primeiro, em diferentes lugares, olhando bem para todas as cousas, tão quietas e ordenadas. Depois de uma manhã inteira de perturbação e variedade, a monotonia trazia-lhe um grande bem, e nunca lhe pareceu tão deliciosa. Na verdade, fizera mal... Quis recapitular os sucessos e não pôde; a alma espreguiçava-se toda naquela uniformidade caseira. Quando muito, pensou na figura do Viçoso, que achava agora ridícula, e era injustiça. Despiu-se lentamente, com amor, indo certeira a cada objeto. Uma vez despida, pensou outra vez na briga com o marido. Achou que, bem pesadas as cousas, a principal culpa era dela. Que diabo de teima por causa de um chapéu, que o marido usara há tantos anos? Também o pai era exigente demais... &lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Vou ver a cara com que ele vem", pensou ela. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eram cinco e meia; não tardaria muito. Mariana foi à sala da frente, espiou pela vidraça, prestou o ouvido ao &lt;i&gt;bond&lt;/i&gt;, e nada. Sentou-se ali mesmo com o &lt;i&gt;Ivanhoe&lt;/i&gt; nas palmas, querendo ler e não lendo nada. Os olhos iam até o fim da página, e tornavam ao princípio, em primeiro lugar, porque não apanhavam o sentido, em segundo lugar, porque uma ou outra vez desviavam-se para saborear a correção das cortinas ou qualquer outra feição particular da sala. Santa monotonia, tu a acalentavas no teu regaço eterno. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enfim, parou um &lt;i&gt;bond&lt;/i&gt;; apeou-se o marido; rangeu a porta de ferro do jardim. Mariana foi à vidraça, e espiou. Conrado entrava lentamente, olhando para a direita e a esquerda, com o chapéu na cabeça, não o famoso chapéu do costume, porém outro, o que a mulher lhe tinha pedido de manhã. O espírito de Mariana recebeu um choque violento, igual ao que lhe dera o vaso do jardim trocado, - ou ao que lhe daria uma lauda de Voltaire entre as folhas da &lt;i&gt;Moreninha&lt;/i&gt; ou de &lt;i&gt;Ivanhoe&lt;/i&gt;... Era a nota desigual no meio da harmoniosa sonata da vida. Não, não podia ser esse chapéu. Realmente, que mania a dela exigir que ele deixasse o outro que lhe ficava tão bem? E que não fosse o mais próprio, era o de longos anos; era o que quadrava à fisionomia do marido... Conrado entrou por uma porta lateral. Mariana recebeu-o nos braços. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;- Então, passou? perguntou ele, enfim, cingindo-lhe a cintura. &lt;/p&gt;- Escuta uma cousa, respondeu ela com uma carícia divina, bota fora esse; antes o outro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-1878153362112452694?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/1878153362112452694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=1878153362112452694' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/1878153362112452694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/1878153362112452694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2008/12/o-captulo-dos-chapus.html' title='O Capítulo dos Chapéus'/><author><name>Bárbara Araújo Machado.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05290580558955572315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SeppVsnwnlI/AAAAAAAAAJk/80Gfe6nHmmE/S220/cinema_ruinas.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-3917407158210984691</id><published>2008-12-06T09:46:00.000-08:00</published><updated>2008-12-07T00:13:57.254-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>O caso da vara</title><content type='html'>&lt;div&gt;Tá ficando bom: debatemos mais um conto voltado para a questão da escravidão no 5o. encontro, dia 1o. de dezembro de 2008. E o melhor é que contamos com mais três machadianos: Mariana, Hugo e Victor. Agora somos 12!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lá vai o conto:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O Caso da Vara, de Machado de Assis&lt;br /&gt;Texto proveniente de:&lt;br /&gt;A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro &lt;http: br=""&gt;&lt;br /&gt;A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo&lt;br /&gt;Permitido o uso apenas para fins educacionais.&lt;br /&gt;Texto-base digitalizado por:&lt;br /&gt;NUPILL - Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Lingüística&lt;br /&gt;&lt;http: br="" alckmar="" literatura="" html=""&gt;&lt;br /&gt;Universidade Federal de Santa Catarina&lt;br /&gt;Este material pode ser redistribuído livremente, desde que não seja alterado, e que as&lt;br /&gt;informações acima sejam mantidas. Para maiores informações, escreva para&lt;br /&gt;&lt;bibvirt@futuro.usp.br&gt;.&lt;br /&gt;Estamos em busca de patrocinadores e voluntários para nos ajudar a manter este projeto. Se&lt;br /&gt;você quer ajudar de alguma forma, mande um e-mail para &lt;bibvirt@futuro.usp.br&gt; e saiba&lt;br /&gt;como isso é possível.&lt;br /&gt;O CASO DA VARA&lt;br /&gt;DAMIÃO fugiu do seminário às onze horas da manhã de uma sexta-feira de agosto. Não&lt;br /&gt;sei bem o ano, foi antes de 1850. Passados alguns minutos parou vexado; não contava com&lt;br /&gt;o efeito que produzia nos olhos da outra gente aquele seminarista que ia espantado,&lt;br /&gt;medroso, fugitivo. Desconhecia as ruas, andava e desandava, finalmente parou. Para onde&lt;br /&gt;iria? Para casa, não, lá estava o pai que o devolveria ao seminário, depois de um bom&lt;br /&gt;castigo. Não assentara no ponto de refúgio, porque a saída estava determinada para mais&lt;br /&gt;tarde; uma circunstância fortuita a apressou. Para onde iria? Lembrou-se do padrinho, João&lt;br /&gt;Carneiro, mas o padrinho era um moleirão sem vontade, que por si só não faria cousa útil.&lt;br /&gt;Foi ele que o levou ao seminário e o apresentou ao reitor:&lt;br /&gt;Trago-lhe o grande homem que há de ser, disse ele ao reitor.&lt;br /&gt;— Venha, acudiu este, venha o grande homem, contanto que seja também humilde e bom.&lt;br /&gt;A verdadeira grandeza é chã. Moço...&lt;br /&gt;Tal foi a entrada. Pouco tempo depois fugiu o rapaz ao seminário. Aqui o vemos agora na&lt;br /&gt;rua, espantado, incerto, sem atinar com refúgio nem conselho; percorreu de memória as&lt;br /&gt;casas de parentes e amigos, sem se fixar em nenhuma. De repente, exclamou:&lt;br /&gt;— Vou pegar-me com Sinhá Rita! Ela manda chamar meu padrinho, diz-lhe que quer que&lt;br /&gt;eu saia do seminário... Talvez assim...&lt;br /&gt;Sinhá Rita era uma viúva, querida de João Carneiro; Damião tinha umas idéias vagas dessa&lt;br /&gt;situação e tratou de a aproveitar. Onde morava? Estava tão atordoado, que só daí a alguns&lt;br /&gt;minutos é que lhe acudiu a casa; era no Largo do Capim.&lt;br /&gt;— Santo nome de Jesus! Que é isto? bradou Sinhá Rita, sentando-se na marquesa, onde&lt;br /&gt;estava reclinada.&lt;br /&gt;Damião acabava de entrar espavorido; no momento de chegar à casa, vira passar um padre,&lt;br /&gt;e deu um empurrão à porta, que por fortuna não estava fechada a chave nem ferrolho.&lt;br /&gt;Depois de entrar espiou pela rótula, a ver o padre. Este não deu por ele e ia andando.&lt;br /&gt;— Mas que é isto, Sr. Damião? bradou novamente a dona da casa, que só agora o&lt;br /&gt;conhecera. Que vem fazer aqui!&lt;br /&gt;Damião, trêmulo, mal podendo falar, disse que não tivesse medo, não era nada; ia explicar&lt;br /&gt;tudo.&lt;br /&gt;— Descanse; e explique-se.&lt;br /&gt;— Já lhe digo; não pratiquei nenhum crime, isso juro, mas espere.&lt;br /&gt;Sinhá Rita olhava para ele espantada, e todas as crias, de casa, e de fora, que estavam&lt;br /&gt;sentadas ern volta da sala, diante das suas almofadas de renda, todas fizeram parar os bilros&lt;br /&gt;e as mãos. Sinhá Rita vivia principalmente de ensinar a fazer renda, crivo e bordado.&lt;br /&gt;Enquanto o rapaz tomava fôlego, ordenou às pequenas que trabalhassem, e esperou. Afinal,&lt;br /&gt;Damião contou tudo, o desgosto que lhe dava o seminário; estava certo de que não podia&lt;br /&gt;ser bom padre; falou com paixão, pediu-lhe que o salvasse.&lt;br /&gt;— Como assim? Não posso nada.&lt;br /&gt;— Pode, querendo.&lt;br /&gt;— Não, replicou ela abanando a cabeça, não me meto em negócios de sua família, que mal&lt;br /&gt;conheço; e então seu pai, que dizem que é zangado!&lt;br /&gt;Damião viu-se perdido. Ajoelhou-se-lhe aos pés, beijou-lhe as mãos, desesperado.&lt;br /&gt;— Pode muito, Sinhá Rita; peço-lhe pelo amor de Deus, pelo que a senhora tiver de mais&lt;br /&gt;sagrado, por alma de seu marido, salve-me da morte, porque eu mato-me, se voltar para&lt;br /&gt;aquela casa.&lt;br /&gt;Sinhá Rita, lisonjeada com as súplicas do moço, tentou chamá-lo a outros sentimentos. A&lt;br /&gt;vida de padre era santa e bonita, disse-lhe ela; o tempo lhe mostraria que era melhor vencer&lt;br /&gt;as repugnâncias e um dia... Não nada, nunca! redargüia Damião, abanando a cabeça e&lt;br /&gt;beijando-lhe as mãos, e repetia que era a sua morte. Sinhá Rita hesitou ainda muito tempo;&lt;br /&gt;afinal perguntou-lhe por que não ia ter com o padrinho.&lt;br /&gt;— Meu padrinho? Esse é ainda pior que papai; não me atende, duvido que atenda a&lt;br /&gt;ninguém...&lt;br /&gt;— Não atende? interrompeu Sinhá Rita ferida em seus brios. Ora, eu lhe mostro se atende&lt;br /&gt;ou não...&lt;br /&gt;Chamou um moleque e bradou-lhe que fosse à casa do Sr. João Carneiro chamá-lo, já e já;&lt;br /&gt;e se não estivesse em casa, perguntasse onde podia ser encontrado, e corresse a dizer-lhe&lt;br /&gt;que precisava muito de lhe falar imediatamente.&lt;br /&gt;— Anda, moleque.&lt;br /&gt;Damião suspirou alto e triste. Ela, para mascarar a autoridade com que dera aquelas ordens,&lt;br /&gt;explicou ao moço que o Sr. João Carneiro fora amigo do marido e arranjara-lhe algumas&lt;br /&gt;crias para ensinar. Depois, como ele continuasse triste, encostado a um portal, puxou-lhe o&lt;br /&gt;nariz, rindo:&lt;br /&gt;— Ande lá, seu padreco, descanse que tudo se há de arranjar.&lt;br /&gt;Sinhá Rita tinha quarenta anos na certidão de batismo, e vinte e sete nos olhos. Era&lt;br /&gt;apessoada, viva, patusca, amiga de rir; mas, quando convinha, brava como diabo. Quis&lt;br /&gt;alegrar o rapaz, e, apesar da situação, não lhe custou muito. Dentro de pouco, ambos eles&lt;br /&gt;riam, ela contava-lhe anedotas, e pedia-lhe outras, que ele referia com singular graça. Uma&lt;br /&gt;destas, estúrdia, obrigada a trejeitos, fez rir a uma das crias de Sinhá Rita, que esquecera o&lt;br /&gt;trabalho, para mirar e escutar o moço. Sinhá Rita pegou de uma vara que estava ao pé da&lt;br /&gt;marquesa, e ameaçou-a:&lt;br /&gt;— Lucrécia, olha a vara!&lt;br /&gt;A pequena abaixou a cabeça, aparando o golpe, mas o golpe não veio. Era uma advertência;&lt;br /&gt;se à noitinha a tarefa não estivesse pronta, Lucrécia receberia o castigo do costume. Damião&lt;br /&gt;olhou para a pequena; era uma negrinha, magricela, um frangalho de nada, com uma&lt;br /&gt;cicatriz na testa e uma queimadura na mão esquerda. Contava onze anos. Damião reparou&lt;br /&gt;que tossia, mas para dentro, surdamente, a fim de não interromper a conversação. Teve&lt;br /&gt;pena da negrinha, e resolveu apadrinhá-la, se não acabasse a tarefa. Sinhá Rita não lhe&lt;br /&gt;negaria o perdão... Demais, ela rira por achar-lhe graça; a culpa era sua, se há culpa em ter&lt;br /&gt;chiste.&lt;br /&gt;Nisto, chegou João Carneiro. Empalideceu quando viu ali o afilhado, e olhou para Sinhá&lt;br /&gt;Rita, que não gastou tempo com preâmbulos. Disse-lhe que era preciso tirar o moço do&lt;br /&gt;seminário, que ele não tinha vocação para a vida eclesiástica, e antes um padre de menos&lt;br /&gt;que um padre ruim. Cá fora também se podia amar e servir a Nosso Senhor. João Carneiro,&lt;br /&gt;assombrado, não achou que replicar durante os primeiros minutos; afinal, abriu a boca e&lt;br /&gt;repreendeu o afilhado por ter vindo incomodar "pessoas estranhas", e em seguida afirmou&lt;br /&gt;que o castigaria.&lt;br /&gt;— Qual castigar, qual nada! interrompeu Sinhá Rita. Castigar por quê? Vá, vá falar a seu&lt;br /&gt;compadre.&lt;br /&gt;— Não afianço nada, não creio que seja possível...&lt;br /&gt;— Há de ser possível, afianço eu. Se o senhor quiser, continuou ela com certo tom&lt;br /&gt;insinuativo, tudo se há de arranjar. Peça-lhe muito, que ele cede. Ande, Senhor João&lt;br /&gt;Carneiro, seu afilhado não volta para o seminário; digo-lhe que não volta...&lt;br /&gt;— Mas, minha senhora...&lt;br /&gt;—Vá, vá.&lt;br /&gt;João Carneiro não se animava a sair, nem podia ficar. Estava entre um puxar de forças&lt;br /&gt;opostas. Não lhe importava, em suma que o rapaz acabasse clérigo, advogado ou médico,&lt;br /&gt;ou outra qualquer cousa, vadio que fosse, mas o pior é que lhe cometiam uma luta ingente&lt;br /&gt;com os sentimentos mais íntimos do compadre, sem certeza do resultado; e, se este fosse&lt;br /&gt;negativo, outra luta com Sinhá Rita, cuja última palavra era ameaçadora: "digo-lhe que ele&lt;br /&gt;não volta". Tinha de haver por força um escândalo. João Carneiro estava com a pupila&lt;br /&gt;desvairada, a pálpebra trêmula, o peito ofegante. Os olhares que deitava a Sinhá Rita eram&lt;br /&gt;de súplica, mesclados de um tênue raio de censura. Por que lhe não pedia outra cousa? Por&lt;br /&gt;que lhe não ordenava que fosse a pé, debaixo de chuva, à Tijuca, ou Jacarepaguá? Mas logo&lt;br /&gt;persuadir ao compadre que mudasse a carreira do filho... Conhecia o velho; era capaz de lhe&lt;br /&gt;quebrar uma jarra na cara. Ah! se o rapaz caísse ali, de repente, apoplético, morto! Era uma&lt;br /&gt;solução — cruel, é certo, mas definitiva.&lt;br /&gt;— Então? insistiu Sinhá Rita.&lt;br /&gt;Ele fez-lhe um gesto de mão que esperasse. Coçava a barba, procurando um recurso. Deus&lt;br /&gt;do céu! um decreto do papa dissolvendo a Igreja, ou, pelo menos, extinguindo os&lt;br /&gt;seminários, faria acabar tudo em bem. João Carneiro voltaria para casa e ia jogar os trêssetes.&lt;br /&gt;Imaginai que o barbeiro de Napoleão era encarregado de comandar a batalha de&lt;br /&gt;Austerlitz... Mas a Igreja continuava, os seminários continuavam, o afilhado continuava&lt;br /&gt;cosido à parede, olhos baixos esperando, sem solução apoplética.&lt;br /&gt;— Vá, vá, disse Sinhá Rita dando-lhe o chapéu e a bengala.&lt;br /&gt;Não teve remédio. O barbeiro meteu a navalha no estojo, travou da espada e saiu à&lt;br /&gt;campanha. Damião respirou; exteriormente deixou-se estar na mesma, olhos fincados no&lt;br /&gt;chão, acabrunhado. Sinha Rita puxou-lhe desta vez o queixo.&lt;br /&gt;— Ande jantar, deixe-se de melancolias.&lt;br /&gt;— A senhora crê que ele alcance alguma coisa?&lt;br /&gt;— Há de alcançar tudo, redargüiu Sinhá Rita cheia de si. Ande, que a sopa está esfriando.&lt;br /&gt;Apesar do gênio galhofeiro de Sinhá Rita, e do seu próprio espírito leve, Damião esteve&lt;br /&gt;menos alegre ao jantar que na primeira parte do dia. Não fiava do caráter mole do padrinho.&lt;br /&gt;Contudo, jantou bem; e, para o fim, voltou às pilhérias da manhã. A sobremesa, ouviu um&lt;br /&gt;rumor de gente na sala, e perguntou se o vinham prender.&lt;br /&gt;— Hão de ser as moças.&lt;br /&gt;Levantaram-se e passaram à sala. As moças eram cinco vizinhas que iam todas as tardes&lt;br /&gt;tomar café com Sinhá Rita, e ali ficavam até o cair da noite.&lt;br /&gt;As discípulas, findo o jantar delas, tornaram às almofadas do trabalho. Sinhá Rita presidia a&lt;br /&gt;todo esse mulherio de casa e de fora. O sussurro dos bilros e o palavrear das moças eram&lt;br /&gt;ecos tão mundanos, tão alheios à teologia e ao latim, que o rapaz deixou-se ir por eles e&lt;br /&gt;esqueceu o resto. Durante os primeiros minutos, ainda houve da parte das vizinhas certo&lt;br /&gt;acanhamento, mas passou depressa. Uma delas cantou uma modinha, ao som da guitarra,&lt;br /&gt;tangida por Sinhá Rita, e a tarde foi passando depressa. Antes do fim, Sinhá Rita pediu a&lt;br /&gt;Damião que contasse certa anedota que lhe agradara muito. Era a tal que fizera rir Lucrécia.&lt;br /&gt;— Ande, senhor Damião, não se faça de rogado, que as moças querem ir embora. Vocês&lt;br /&gt;vão gostar muito.&lt;br /&gt;Damião não teve remédio senão obedecer. Malgrado o anúncio e a expectação, que serviam&lt;br /&gt;a diminuir o chiste e o efeito, a anedota acabou entre risadas das moças. Damião, contente&lt;br /&gt;de si, não esqueceu Lucrécia e olhou para ela, a ver se rira também. Viu-a com a cabeça&lt;br /&gt;metida na almofada para acabar a tarefa. Não ria; ou teria rido para dentro, como tossia.&lt;br /&gt;Saíram as vizinhas, e a tarde caiu de todo. A alma de Damião foi-se fazendo tenebrosa,&lt;br /&gt;antes da noite . Que estaria acontecendo? De instante a instante, ia espiar pela rótula, e&lt;br /&gt;voltava cada vez mais desanimado. Nem sombra do padrinho. Com certeza, o pai fê-lo&lt;br /&gt;calar, mandou chamar dous negros, foi à polícia pedir um pedestre, e aí vinha pegá-lo à&lt;br /&gt;força e levá-lo ao seminário. Damião perguntou a Sinhá Rita se a casa não teria saída pelos&lt;br /&gt;fundos, correu ao quintal e calculou que podia saltar o muro. Quis ainda saber se haveria&lt;br /&gt;modo de fugir para a Rua da Vala, ou se era melhor falar a algum vizinho que fizesse o&lt;br /&gt;favor de o receber. O pior era a batina; se Shlhá Rita lhe pudesse arranjar um rodaque, uma&lt;br /&gt;sobrecasaca velha... Sinhá Rita dispunha justamente de um rodaque, lembrança ou&lt;br /&gt;esquecimento de João Carneiro.&lt;br /&gt;— Tenho um rodaque do meu defunto, disse ela, rindo; mas para que está com esses&lt;br /&gt;sustos? Tudo se há de arranjar, descanse.&lt;br /&gt;Afinal, à boca da noite, apareceu um escravo do padrinho, com uma carta para Sinhá Rita.&lt;br /&gt;O negócio ainda não estava composto; o pai ficou furioso e quis quebrar tudo; bradou que&lt;br /&gt;não, senhor que o peralta havia de ir para o seminário, ou então metia-o no Aljube ou na&lt;br /&gt;presiganga. João Carneiro lutou muito para conseguir que o compadre não resolvesse logo,&lt;br /&gt;qne dormisse a noite, e meditasse bem se era conveniente dar à religião um sujeito tão&lt;br /&gt;rebelde e vicioso. Explicava na carta que falou assim para melhor ganhar a causa. Não a&lt;br /&gt;tinha por ganha, mas no dia seguinte lá iria ver o homem, e teimar de novo. Concluía&lt;br /&gt;dizendo que o moço fosse para a casa dele.&lt;br /&gt;Damião acabou de ler a carta e olhou para Sinhá Rita. Não tenho outra tábua de salvação,&lt;br /&gt;pensou ele. Sinhá Rita mandou vir um tinteiro de chifre, e na meia folha da própria carta&lt;br /&gt;escreveu esta resposta: "Joãozinho, ou você salva o moço, ou nunca mais nos vemos".&lt;br /&gt;Fechou a carta com obreia, e deu-a ao escravo, para que a levasse depressa. Voltou a&lt;br /&gt;reanimar o seminarista, que estava outra vez no capuz da humildade e da consternação.&lt;br /&gt;Disse-lhe que sossegasse, que aquele negóclo era agora dela.&lt;br /&gt;— Hão de ver para quanto presto! Não, que eu não sou de brincadeiras!&lt;br /&gt;Era a hora de recolher os trabalhos. Sinhá Rita examinou-os, todas as discípulas tinham&lt;br /&gt;concluído a tarefa. Só Lucrécia estava ainda à almofada, meneando os bilros, já sem ver;&lt;br /&gt;Sinhá Rita chegou-se a ela, viu que a tarefa não estava acabada, ficou furiosa, e agarrou-a&lt;br /&gt;por uma orelha.&lt;br /&gt;— Ah! malandra!&lt;br /&gt;— Nhanhã, nhanhã! pelo amor de Deus! por Nossa Senhora que está no céu.&lt;br /&gt;— Malandra! Nossa Senhora não protege vadias!&lt;br /&gt;Lucrécia fez um esforço, soltou-se das mãos da senhora, e fugiu para dentro; a senhora foi&lt;br /&gt;atrás e agarrou-a.&lt;br /&gt;— Anda cá!&lt;br /&gt;— Minha senhora, me perdoe!&lt;br /&gt;— Não perdôo, não.&lt;br /&gt;E tornaram ambas à sala, uma presa pela orelha, debatendo-se, chorando e pedindo; a outra&lt;br /&gt;dizendo que não, que a havia de castigar.&lt;br /&gt;— Onde está a vara?&lt;br /&gt;A vara estava à cabeceira da marquesa, do outro lado da sala Sinhá Rita, não querendo&lt;br /&gt;soltar a pequena, bradou ao seminarista.&lt;br /&gt;— Sr. Damião, dê-me aquela vara, faz favor?&lt;br /&gt;Damião ficou frio. . . Cruel instante! Uma nuvem passou-lhe pelos olhos. Sim, tinha Jurado&lt;br /&gt;apadrinhar a pequena, que por causa dele, atrasara o trabalho...&lt;br /&gt;— Dê-me a vara, Sr. Damião!&lt;br /&gt;Damião chegou a caminhar na direção da marquesa. A negrinha pediu-lhe então por tudo o&lt;br /&gt;que houvesse mais sagrado, pela mãe, pelo pai, por Nosso Senhor.. .&lt;br /&gt;— Me acuda, meu sinhô moço!&lt;br /&gt;Sinhá Rita, com a cara em fogo e os olhos esbugalhados, instava pela vara, sem largar a&lt;br /&gt;negrinha, agora presa de um acesso de tosse. Damião sentiu-se compungido; mas ele&lt;br /&gt;precisava tanto sair do seminário! Chegou à marquesa, pegou na vara e entregou-a a Sinhá&lt;br /&gt;Rita.&lt;/bibvirt@futuro.usp.br&gt;&lt;/bibvirt@futuro.usp.br&gt;&lt;/http:&gt;&lt;/http:&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-3917407158210984691?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/3917407158210984691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=3917407158210984691' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/3917407158210984691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/3917407158210984691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2008/12/o-caso-da-vara.html' title='O caso da vara'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_IwK76splDDQ/So8hQvEURzI/AAAAAAAADdQ/fmhUUJBlTas/S220/IMG_8013.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-9003616280939970337</id><published>2008-11-25T02:08:00.000-08:00</published><updated>2009-07-23T07:30:27.382-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reunião'/><title type='text'>Crônica debatida em 24 de novembro</title><content type='html'>No nosso quarto encontro debatemos uma pequena mas muito interessante crônica que deu muito o que pensar. Também discutimos várias possibilidades de atuação: em escolas, associações de moradores, junto a cursos de formação de agentes culturais de favelas, MC's...&lt;br /&gt;Na semana que vem a Adriana Facina virá nos apresentar seu projeto para pensarmos uma parceria. Estamos caminhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"DUELO DE FILANTROPIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Era um leilão de escravos. Na fileira dos infelizes que estavam ali de mistura com os móveis, havia uma pobre criancinha abrindo os olhos espantados e ignorantes para todos. Todos foram atraídos pela tenra idade e triste singeleza da pequena. Entre outros, notei um indivíduo que, mais curioso que compadecido, conjeturava à meia voz o preço por que se venderia aquele semovente. Travamos conversa e fizemos conhecimento; quando ele soube que eu manejava a enxadinha com que revolvo as terras do folhetim, deixou escapar dos lábios esta exclamação:&lt;br /&gt;- Ah!&lt;br /&gt;  Estava longe de conhecer o que havia neste - ah! - tão misterioso e tão significativo. Minutos depois começou o pregão da pequena. O meu indivíduo cobria os lances com incrível desespero, a ponto de pôr fora de combate todos os pretendentes, exceto um que lutou ainda por algum tempo, mas que afinal teve que ceder. O preço definitivo da desgraçadinha era fabuloso. Só o amor à humanidade podia explicar aquela luta da parte do meu novo conhecimento; não perdi de vista o comprador, convencido de que iria disfarçadamente ao leiloeiro dizer-lhe que a quantia lançada era aplicada à liberdade da infeliz. Pus-me à espreita da virtude. O comprador não me desiludiu, porque, apenas começava a espreitá-lo, ouvi-lhe dizer alto e bom som:&lt;br /&gt;- É para a liberdade!&lt;br /&gt;  O último combatente do leilão foi ao filantropo, apertou-lhe as mãos e disse:&lt;br /&gt;- Eu tinha a mesma intenção.&lt;br /&gt;  O filantropo voltou-se para mim e pronunciou baixinho as seguintes palavras, acompanhadas de um sorriso:&lt;br /&gt;- Não vá agora dizer lá na folha que pratiquei este ato de caridade.&lt;br /&gt;  Satisfiz religiosamente o dito do filantropo, mas nem assim me furtei à honra de ver o caso publicado e comentado nos outros jornais. Deixo ao leitor a apreciação daquele airoso duelo de filantropia." (Diário do Rio de Janeiro, 1864)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: DUARTE,Eduardo de Assis. &lt;i&gt;&lt;span class="nfakPe"&gt;Machado&lt;/span&gt; de Assis afro-descendente&lt;/i&gt;. Rio de Janeiro/Belo Horizonte:Pallas/Crisálida, 2007.2.ed., revista e ampliada. pp. 27-8.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-9003616280939970337?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/9003616280939970337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=9003616280939970337' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/9003616280939970337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/9003616280939970337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2008/11/crnica-debatida-em-24-de-novembro.html' title='Crônica debatida em 24 de novembro'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_IwK76splDDQ/So8hQvEURzI/AAAAAAAADdQ/fmhUUJBlTas/S220/IMG_8013.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-5818213687913237339</id><published>2008-11-23T10:11:00.001-08:00</published><updated>2008-11-23T10:14:14.460-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='evento'/><title type='text'></title><content type='html'>No último sábado, dia 22, fizemos uma visita ao Instituto Moreira Salles para conferir a exposição O Rio de Janeiro de Machado de Assis. A mostra é composta por imagens de fotógrafos como Marc Ferrez, Georges Leuzinger e Augusto Stahl, que documentaram a paisagem urbana e natural da cidade no século XIX, época da maturidade de Machado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SSmdAg3UdZI/AAAAAAAAAHY/m0AIzV5hQnU/s1600-h/Instituto+Moreira+Salles+22-11-2008+031.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271917470961399186" style="WIDTH: 320px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SSmdAg3UdZI/AAAAAAAAAHY/m0AIzV5hQnU/s320/Instituto+Moreira+Salles+22-11-2008+031.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tivemos também o prazer de dar de cara com uma exposição com diversas fotos de Alécio de Andrade, poeta e fotógrafo carioca pouco conhecido no Brasil. Havia fotos de sua primeira mostra de 1964, "Itinerário da Infância", além de imagens de outras mostras e de personalidades importantes do meio artístico de seu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SSmc20g3DMI/AAAAAAAAAHQ/lTRD1WU2kpU/s1600-h/al%C3%A9cio.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271917304437214402" style="WIDTH: 320px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 212px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SSmc20g3DMI/AAAAAAAAAHQ/lTRD1WU2kpU/s320/al%C3%A9cio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Instituto Moreira Salles preserva os mais abrangentes acervos sobre o século XIX e o início do século XX no Brasil. No total, são mais de 450.000 imagens reunidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-5818213687913237339?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/5818213687913237339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=5818213687913237339' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/5818213687913237339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/5818213687913237339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2008/11/no-ltimo-sbado-dia-22-fizemos-uma.html' title=''/><author><name>Bárbara Araújo Machado.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05290580558955572315</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SeppVsnwnlI/AAAAAAAAAJk/80Gfe6nHmmE/S220/cinema_ruinas.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_qDqQcREnrEw/SSmdAg3UdZI/AAAAAAAAAHY/m0AIzV5hQnU/s72-c/Instituto+Moreira+Salles+22-11-2008+031.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-4119232136388802765</id><published>2008-11-18T07:53:00.001-08:00</published><updated>2008-11-23T10:11:07.532-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poema'/><title type='text'>Sabina (1875)</title><content type='html'>Nossa segunda leitura foi o poema Sabina, também de temática racial. Foi publicado em Americanas, um livro de poemas de Machado datado de 1875. Eis a triste história...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;h2 style="MARGIN-LEFT: 0cm"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="FONT-STYLE: normal;font-family:'Times New Roman';font-size:14;"  &gt;SABINA&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h2&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Sabina era mucama da fazenda;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Vinte anos tinha; e na província toda&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Não havia mestiça mais à moda,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Com suas roupas de cambraia e renda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Cativa, não entrava na senzala,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Nem tinha mãos para trabalho rude;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Desbrochava-lhe a sua juventude&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Entre carinhos e afeições de sala.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Era cria da casa. A sinhá-moça,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que com ela brincou sendo menina,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Sobre todas amava esta Sabina,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Com&lt;a title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=4629585471291149898&amp;amp;postID=4119232136388802765#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; esse ingênuo e puro amor da roça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Dizem que à noite, a suspirar na cama,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Pensa nela o feitor; dizem que um dia,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Um hóspede que ali passado havia,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Pôs um cordão no colo da mucama.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Mas que vale uma jóia no pescoço?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Não pôde haver o coração da bela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Se alguém lhe acende os olhos de gazela,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;É pessoa maior: é o senhor moço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ora, Otávio cursava a Academia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Era um lindo rapaz; a mesma idade&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Co’as passageiras flores o adornava&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;De cujo extinto aroma inda a memória&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Vive na tarde pálida do outono.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Oh! vinte anos! Ó pombas fugitivas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Da primeira estação, porque tão cedo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Voais de nós? Pudesse ao menos a alma&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Guardar consigo as ilusões primeiras,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Virgindade sem preço, que não paga&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Essa descolorida, árida e seca&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Experiência do homem!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.4pt"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Vinte anos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Tinha Otávio, e a beleza e um ar de côrte&lt;a title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=4629585471291149898&amp;amp;postID=4119232136388802765#_ftn2" name="_ftnref2"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E o gesto nobre, e sedutor o aspecto;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Um vero Adônis, como aqui diria&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Algum poeta clássico, daquela&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Poesia que foi nobre, airosa e grande&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Em tempos idos, que ainda bem se foram...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Também eu a adorei, uma hora ao menos,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E suspirei destes remotos climas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Pelas formosas ribas do Escamandro,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Onde descia, entre soldados gregos,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;A moça Vênus; frívolo suspiro&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que não pode acordar dos seus sepulcros&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Esses numes brincões da velha idade,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Mortos por seus pecados — que os tiveram,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E por sossego nosso. Eram amáveis&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E belos no seu tempo; hoje fariam&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Igual papel ao do tardio máscara&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que, ao desdobrar a aurora os panos de ouro,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Entre madrugadores se aventura.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Cursava a Academia o moço Otávio;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ia no ano terceiro: não remoto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Via desenrolar-se o pergaminho,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Prêmio de seus labores e fadigas;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E uma vez bacharel, via mais longe&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Os curvos braços da feliz cadeira&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Donde o legislador a rédea empunha&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Dos lépidos frisões do Estado. Entanto,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Sobre os livros de estudo, gota a gota&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;As horas despendia, e trabalhava&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Por meter na cabeça o jus romano&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E o pátrio jus. Nas suspiradas férias&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Volvia ao lar paterno; ali no dorso&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;De brioso corcel corria os campos,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ou, arma ao ombro, polvorinho ao lado,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;À caça dos veados e cotias,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ia matando o tempo. Algumas vezes&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Com o padre vigário se entretinha&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Em desfiar um ponto de intrincada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Filosofia, que o senhor de engenho,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Feliz pai, escutava glorioso,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Como a rever-se no brilhante aspecto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Do&lt;a title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=4629585471291149898&amp;amp;postID=4119232136388802765#_ftn3" name="_ftnref3"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; suas ricas esperanças.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Era&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Manhã de estio; erguera-se do leito&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Otávio; em quatro sorvos toda esgota&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;A taça de café. Chapéu de palha,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E arma ao ombro, lá foi terreiro fora,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Passarinhar no mato. Ia costeando&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;O arvoredo que além beirava o rio,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;A passo curto, e o pensamento à larga,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Como leve andorinha que saísse&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Do ninho, a respirar o hausto primeiro&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Da manhã. Pela aberta da folhagem,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que inda não doura o sol, uma figura&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Deliciosa, um busto sobre as ondas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Suspende o caçador. Mãe d’água fora,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Talvez , se a cor de seus quebrados olhos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Imitasse a do céu: se a tez morena,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Morena como a esposa dos Cantares,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Alva tivesse; e raios de ouro fossem&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Os cabelos da cor da noite escura,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que ali soltos e úmidos lhe caem,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Como um véu sobre o colo. Trigueirinha,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Cabelo negro, os largos olhos brandos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Cor de jabuticaba, quem seria,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Quem, senão a mucama da fazenda,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Sabina, enfim? Logo a conhece Otávio,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E nela os olhos espantados fita&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que desejos acendem. — Mal cuidando&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Daquele estranho curioso, a virgem&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Com os ligeiros braços rompe as águas,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E ora toda se esconde, ora ergue o busto,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Talhado pela mão da natureza&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Sobre o modelo clássico. Na oposta&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Riba suspira um passarinho; e o canto,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E a meia luz, e o sussurrar das águas,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E aquela fada ali, tão doce vida&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Davam ao quadro, que o ardente aluno&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Trocara por aquilo, uma hora ao menos,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;A Faculdade, o pergaminho e o resto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Súbito erige o corpo a ingênua virgem;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Com as mãos, os cabelos sobre a espádua&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Deita, e rasgando lentamente as ondas,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Para a margem caminha, tão serena,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Tão livre como quem de estranhos olhos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Não suspeita a cobiça...Véu da noite,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Se lhos cobrira, dissipara acaso&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Uma história de lágrimas. Não pode&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Furtar-se Otávio à comoção que o toma;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;A clavina que a esquerda mal sustenta&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;No chão lhe cai; e o baque surdo acorda&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;A descuidada nadadora. Às ondas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;A virgem torna. Rompe Otávio o espaço&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que os divide; e de pé, na fina areia,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que o mole rio lambe, ereto e firme,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Todo se lhe descobre. Um grito apenas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Um só grito, mas único, lhe rompe&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Do coração; terror, vergonha... e acaso&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Prazer, prazer misterioso e vivo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;De cativa que amou silenciosa,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E que ama e vê o objeto de seus sonhos,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ali com ela, a suspirar por ela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;“Flor da roça nascida ao pé do rio,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Otávio começou — talvez mais bela&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que essas belezas cultas da cidade,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Tão cobertas de jóias e de sedas,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Oh! não me negues teu suave aroma!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Fez-te cativa o berço; a lei somente&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Os grilhões te lançou; no livre peito&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;De teus senhores tens a liberdade,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;A melhor liberdade, o puro afeto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que te elegeu entre as demais cativas,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E de afagos te cobre! Flor do mato,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Mais viçosa do que essas outras flores&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Nas estufas criadas e nas salas,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Rosa agreste nascida ao pé do rio&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Oh! não me negues teu suave aroma!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Disse, e da riba os cobiçosos olhos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Pelas águas estende, enquanto os dela,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Cobertos pelas pálpebras medrosas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Choram — de gosto e de vergonha a um tempo,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Duas únicas lágrimas. O rio&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;No seio as recebeu; consigo as leva,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Como gotas de chuva, indiferente&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ao mal ou bem que lhe povoa a margem;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que assim a natureza, ingênua e dócil&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Às leis do Criador, perpétua segue&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Em seu mesmo caminho, e deixa ao homem&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Padecer e saber que sente e morre.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Pela azulada esfera inda três vezes&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;A aurora as flores derramou, e a noite&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Vezes três a mantilha escura e larga&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Misteriosa cingiu. Na quarta aurora,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Anjo das virgens, anjo de asas brancas,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Pudor, onde te foste? A alva capela,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Murcha e desfeita pelo chão lançada,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Coberta a face do rubor do pejo,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Os olhos com as mãos velando, alçaste&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Para a Eterna Pureza o eterno vôo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Quem ao tempo cortar pudera as asas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Se deleitoso voa? Quem pudera&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Suster a hora abençoada e curta&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Da ventura que foge, e sobre a terra&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;O gozo transportar da eternidade?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Sabina viu correr tecidos de ouro&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Aqueles dias únicos na vida&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Toda enlevo e paixão, sincera e ardente&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Nesse primeiro amor d’alma que nasce&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E os olhos abre ao sol. Tu lhe dormias,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Consciência; razão, tu lhe fechavas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;A vista interior; e ela seguia&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ao sabor dessas horas mal furtadas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ao cativeiro e à solidão, sem vê-lo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;O fundo abismo tenebroso e largo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que a separa do eleito de seus sonhos,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Nem pressentir a brevidade e a morte!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E com que olhos de pena e de saudade&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Viu ir-se um dia pela estrada fora&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Otávio! Aos livros torna o moço aluno,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Não cabisbaixo e triste, mas sereno&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E lépido. Com ela a alma não fica&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;De seu jovem senhor. Lágrima pura,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Muito embora de escrava, pela face&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Lentamente lhe rola, e lentamente&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Toda se esvai num pálido sorriso&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;De mãe,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Sabina é mãe; o sangue livre&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Gira e palpita no cativo seio&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E lhe paga de sobra as dores cruas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Da longa ausência. Uma por uma, as horas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Na solidão do campo há de contá-las,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E suspirar pelo remoto dia&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Em que o veja de novo... Pouco importa,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Se o materno sentir compensa os males.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Riem-se dela as outras; é seu nome&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;O assunto do terreiro. Uma invejosa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Acha-lhe uns certos modos singulares&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;De senhora de engenho; um pajem moço,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;De cobiça e ciúme devorado,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Desfaz nas graças que em silêncio adora&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E consigo medita uma vingança.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Entre os parceiros, desfiando a palha&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Com que entrança um chapéu, solenemente&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Um Caçanje ancião refere aos outros&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Alguns casos que viu na mocidade&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;De cativas amadas e orgulhosas,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Castigadas do céu por seus pecados,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Mortas entre os grilhões do cativeiro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Assim falavam eles; tal o aresto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Da opinião. Quem evitá-lo pode&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Entre os seus, por mais baixo que a fortuna&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Haja tecido o berço? Assim falavam&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Os cativos do engenho; e porventura&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Sabina o soube e o perdoou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Volveram&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Após os dias da saudade os dias&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Da esperança. Ora, quis fortuna adversa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que o coração do moço, tão volúvel&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Como a brisa que passa ou como as ondas,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Nos cabelos castanhos se prendesse&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Da donzela gentil, com quem atara&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;O laço conjugal: uma beleza&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Pura, como o primeiro olhar da vida,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Uma flor desbrochada em seus quinze anos,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Que o moço viu num dos serões da corte&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E cativo adorou. Que há de fazer-lhes&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Agora o pai? Abençoar os noivos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E ao regaço trazê-los da família.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Oh longa foi, longa e ruidosa a festa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Da fazenda, por onde alegre entrara&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;O moço Otávio conduzindo a esposa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Viu-os chegar Sabina, os olhos secos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Atônita e pasmada. Breve o instante&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Da vista foi. Rápido foge. A noite&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;A seu trêmulo pé não tolhe a marcha;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Voa, não corre ao malfadado rio,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Onde a voz escutou do amado moço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ali chegando: “Morrerá comigo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;O fruto de meu seio; a luz da terra&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Seus olhos não verão; nem ar da vida&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Há de aspirar...”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;Ia a cair nas águas,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Quando súbito horror lhe toma o corpo;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Gelado o sangue e trêmula recua,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Vacila e tomba sobre a relva. A morte&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Em vão a chama e lhe fascina a vista;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Vence o instinto de mãe. Erma e calada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Ali ficou. Viu-a jazer a lua&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Largo espaço da noite ao pé das águas,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;E ouviu-lhe o vento os trêmulos suspiros;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Nenhum deles, contudo, o disse à aurora.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:'Times New Roman';font-size:12;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;hr align="left" width="33%" size="1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div id="ftn1"&gt;&lt;p class="MsoFootnoteText" style="MARGIN-LEFT: 0cm"&gt;&lt;a title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=4629585471291149898&amp;amp;postID=4119232136388802765#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; Corrigido pelo autor na errata. No texto consta &lt;i&gt;Como.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn2"&gt;&lt;p class="MsoFootnoteText" style="MARGIN-LEFT: 0cm"&gt;&lt;a title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=4629585471291149898&amp;amp;postID=4119232136388802765#_ftnref2" name="_ftn2"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; Mantivemos a acentuação do autor apenas para caracterizar a pronúncia fechada da vogal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn3"&gt;&lt;p class="MsoFootnoteText" style="MARGIN-LEFT: 0cm"&gt;&lt;a title="" href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=4629585471291149898&amp;amp;postID=4119232136388802765#_ftnref3" name="_ftn3"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; A forma provável da preposição é &lt;i&gt;de. &lt;/i&gt;Manteve-se conforme registra o original.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-4119232136388802765?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/4119232136388802765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=4119232136388802765' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/4119232136388802765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/4119232136388802765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2008/11/sabina-1875.html' title='Sabina (1875)'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_IwK76splDDQ/So8hQvEURzI/AAAAAAAADdQ/fmhUUJBlTas/S220/IMG_8013.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-1987978458259340330</id><published>2008-11-18T07:23:00.000-08:00</published><updated>2008-11-23T10:09:52.204-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='evento'/><title type='text'>Palestras sobre Machado na ABL</title><content type='html'>&lt;div class="materia" id="conteudo" style="FONT-SIZE: 12px"&gt;Vejam só o que encontrei no site da ABL:&lt;br /&gt;&lt;h2&gt;"A economia em Machado de Assis"&lt;/h2&gt;&lt;p&gt;Coordenado pelo Acadêmico &lt;a href="http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=144"&gt;Alberto da Costa e Silva&lt;/a&gt;, o 9º Ciclo de Conferências da Academia, "Aspectos da literatura machadiana III", prossegue no dia 18 de novembro, terça-feira, com palestra ministrada pelo Professor Gustavo Franco sobre "A economia em &lt;a href="http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=240"&gt;Machado de Assis&lt;/a&gt;".&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Conferência será no Teatro R. Magalhães Jr., a partir das 17h30min. A entrada é franca e serão fornecidos certificados de presença aos interessados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O portal da ABL transmitirá ao vivo o 9º Ciclo de Conferências da Academia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Saiba Mais&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No dia 25 de novembro, o 9º Ciclo de Conferências da Academia, prossegue com conferência ministrada pelo Professor João Adolfo Hansen sobre "A política em Machado de Assis".&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No dia 2 de dezembro, a palestra estará a cargo da pesquisadora Maria Clara Bingemer e do Acadêmico &lt;a href="http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=139"&gt;Antonio Olinto&lt;/a&gt;, que discorrerão sobre "A religião em Machado de Assis".&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No dia 9 de dezembro, o Acadêmico &lt;a href="http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=325"&gt;Candido Mendes de Almeida&lt;/a&gt; falará sobre "A filosofia em Machado de Assis".&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A conferência de encerramento do 9º Ciclo da ABL de 2008 ocorrerá no dia 16 de dezembro e estará a cargo do Acadêmico &lt;a href="http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=258"&gt;Alberto Venancio Filho&lt;/a&gt;, com o tema "Machado de Assis, presidente da ABL".&lt;/p&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;13/11/2008&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-1987978458259340330?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/1987978458259340330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=1987978458259340330' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/1987978458259340330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/1987978458259340330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2008/11/palestras-sobre-machado-na-abl.html' title='Palestras sobre Machado na ABL'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_IwK76splDDQ/So8hQvEURzI/AAAAAAAADdQ/fmhUUJBlTas/S220/IMG_8013.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-5847558030349530259</id><published>2008-11-17T17:54:00.000-08:00</published><updated>2009-07-23T07:30:02.489-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Novos membros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='apresentação'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reunião'/><title type='text'>Mais dois...</title><content type='html'>Na nossa segunda reunião, ganhamos mais uma machadiana vivíssima, a Stephanie e hoje, 21 de novembro, nosso querido Luiz Guilherme pra reforçar a ala masculina. Agora já somos 9...&lt;br /&gt;Aliás, hoje debatemos um poema chamado Sabina, que será a próxima postagem.&lt;br /&gt;Ah, e sábado vamos fazer nossa primeira "excursão": vamos até a Gávea ver a exposição sobre o Rio de Janeiro de Machado no IMS. Primeiro a Gávea e depois o mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dois abraços e uma dúzia de beijos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alvito&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-5847558030349530259?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/5847558030349530259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=5847558030349530259' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/5847558030349530259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/5847558030349530259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2008/11/mais-dois.html' title='Mais dois...'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_IwK76splDDQ/So8hQvEURzI/AAAAAAAADdQ/fmhUUJBlTas/S220/IMG_8013.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-7549436848152919554</id><published>2008-11-14T12:29:00.000-08:00</published><updated>2008-11-23T10:06:52.315-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Pai contra Mãe - conto de Machado de Assis (1905)</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Pai contra mãe&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; &lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;A ESCRAVIDÃO levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a máscara de folha-de-flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dous para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. Com o vício de beber. perdiam a tentação de furtar, porque geralmente era dos vinténs do senhor que eles tiravam com que matar a sede, e aí ficavam dous pecados extintos, e a sobriedade e a honestidade certas. Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. Mas não cuidemos de máscaras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões. Imaginai uma coleira grossa, com a haste grossa também à direita ou à esquerda, até ao alto da cabeça e fechada atrás com chave. Pesava, naturalmente, mas era menos castigo que sinal. Escravo que fugia assim, onde quer que andasse, mostrava um reincidente, e com pouco era pegado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Há meio século, os escravos fugiam com freqüência. Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam de apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; havia alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo dono não era mau; além disso, o sentimento da propriedade moderava a ação, porque dinheiro também dói. A fuga repetia-se, entretanto. Casos houve, ainda que raros, em que o escravo de contrabando, apenas comprado no Valongo, deitava a correr, sem conhecer as ruas da cidade. Dos que seguiam para casa, não raro, apenas ladinos, pediam ao senhor que lhes marcasse aluguel, e iam ganhá-lo fora, quitandando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Quem perdia um escravo por fuga dava algum dinheiro a quem lho levasse. Punha anúncios nas folhas públicas, com os sinais do fugido, o nome, a roupa, o defeito físico, se o tinha, o bairro por onde andava e a quantia de gratificação. Quando não vinha a quantia, vinha promessa: "gratificar-se-á generosamente", -- ou "receberá uma boa gratificação". Muita vez o anúncio trazia em cima ou ao lado uma vinheta, figura de preto, descalço, correndo, vara ao ombro, e na ponta uma trouxa. Protestava-se com todo o rigor da lei contra quem o acoutasse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Ora, pegar escravos fugidios era um ofício do tempo. Não seria nobre, mas por ser instrumento da força com que se mantêm a lei e a propriedade, trazia esta outra nobreza implícita das ações reivindicadoras. Ninguém se metia em tal ofício por desfastio ou estudo; a pobreza, a necessidade de uma achega, a inaptidão para outros trabalhos, o acaso, e alguma vez o gosto de servir também, ainda que por outra via, davam o impulso ao homem que se sentia bastante rijo para pôr ordem à desordem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Cândido Neves, -- em família, Candinho,-- é a pessoa a quem se liga a história de uma fuga, cedeu à pobreza, quando adquiriu o ofício de pegar escravos fugidos. Tinha um defeito grave esse homem, não agüentava emprego nem ofício, carecia de estabilidade; é o que ele chamava caiporismo. Começou por querer aprender tipografia, mas viu cedo que era preciso algum tempo para compor bem, e ainda assim talvez não ganhasse o bastante; foi o que ele disse a si mesmo. O comércio chamou-lhe a atenção, era carreira boa. Com algum esforço entrou de caixeiro para um armarinho. A obrigação, porém, de atender e servir a todos feria-o na corda do orgulho, e ao cabo de cinco ou seis semanas estava na rua por sua vontade. Fiel de cartório, contínuo de uma repartição anexa ao Ministério do Império, carteiro e outros empregos foram deixados pouco depois de obtidos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Quando veio a paixão da moça Clara, não tinha ele mais que dívidas, ainda que poucas, porque morava com um primo, entalhador de ofício. Depois de várias tentativas para obter emprego, resolveu adotar o ofício do primo, de que aliás já tomara algumas lições. Não lhe custou apanhar outras, mas, querendo aprender depressa, aprendeu mal. Não fazia obras finas nem complicadas, apenas garras para sofás e relevos comuns para cadeiras. Queria ter em que trabalhar quando casasse, e o casamento não se demorou muito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Contava trinta anos. Clara vinte e dous. Ela era órfã, morava com uma tia, Mônica, e cosia com ela. Não cosia tanto que não namorasse o seu pouco, mas os namorados apenas queriam matar o tempo; não tinham outro empenho. Passavam às tardes, olhavam muito para ela, ela para eles, até que a noite a fazia recolher para a costura. O que ela notava é que nenhum deles lhe deixava saudades nem lhe acendia desejos. Talvez nem soubesse o nome de muitos. Queria casar, naturalmente. Era, como lhe dizia a tia, um pescar de caniço, a ver se o peixe pegava, mas o peixe passava de longe; algum que parasse, era só para andar à roda da isca, mirá-la, cheirá-la, deixá-la e ir a outras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;O amor traz sobrescritos. Quando a moça viu Cândido Neves, sentiu que era este o possível marido, o marido verdadeiro e único. O encontro deu-se em um baile; tal foi--para lembrar o primeiro ofício do namorado, -- tal foi a página inicial daquele livro, que tinha de sair mal composto e pior brochado. O casamento fez-se onze meses depois, e foi a mais bela festa das relações dos noivos. Amigas de Clara, menos por amizade que por inveja, tentaram arredá-la do passo que ia dar. Não negavam a gentileza do noivo, nem o amor que lhe tinha, nem ainda algumas virtudes; diziam que era dado em demasia a patuscadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--Pois ainda bem, replicava a noiva; ao menos, não caso com defunto. --Não, defunto não; mas é que...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Não diziam o que era. Tia Mônica, depois do casamento, na casa pobre onde eles se foram abrigar, falou-lhes uma vez nos filhos possíveis. Eles queriam um, um só, embora viesse agravar a necessidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--Vocês, se tiverem um filho, morrem de fome, disse a tia à sobrinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--Nossa Senhora nos dará de comer, acudiu Clara. Tia Mônica devia ter-lhes feito a advertência, ou ameaça, quando ele lhe foi pedir a mão da moça; mas também ela era amiga de patuscadas, e o casamento seria uma festa, como foi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;A alegria era comum aos três. O casal ria a propósito de tudo. Os mesmos nomes eram objeto de trocados, Clara, Neves, Cândido; não davam que comer, mas davam que rir, e o riso digeria-se sem esforço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Ela cosia agora mais, ele saía a empreitadas de uma cousa e outra; não tinha emprego certo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Nem por isso abriam mão do filho. O filho é que, não sabendo daquele desejo específico, deixava-se estar escondido na eternidade. Um dia. porém, deu sinal de si a criança; varão ou fêmea, era o fruto abençoado que viria trazer ao casal a suspirada ventura. Tia Mônica ficou desorientada, Cândido e Clara riram dos seus sustos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--Deus nos há de ajudar, titia, insistia a futura mãe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;A notícia correu de vizinha a vizinha. Não houve mais que espreitar a aurora do dia grande. A esposa trabalhava agora com mais vontade, e assim era preciso, uma vez que, além das costuras pagas, tinha de ir fazendo com retalhos o enxoval da criança. À força de pensar nela, vivia já com ela, media-lhe fraldas, cosia-lhe camisas. A porção era escassa, os intervalos longos. Tia Mônica ajudava, é certo, ainda que de má vontade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--Vocês verão a triste vida, suspirava ela. --Mas as outras crianças não nascem também? perguntou Clara. --Nascem, e acham sempre alguma cousa certa que comer, ainda que pouco... --Certa como? --Certa, um emprego, um ofício, uma ocupação, mas em que é que o pai dessa infeliz criatura que aí vem gasta o tempo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Cândido Neves, logo que soube daquela advertência, foi ter com a tia, não áspero mas muito menos manso que de costume, e lhe perguntou se já algum dia deixara de comer. --A senhora ainda não jejuou senão pela semana santa, e isso mesmo quando não quer jantar comigo. Nunca deixamos de ter o nosso bacalhau... --Bem sei, mas somos três. --Seremos quatro. --Não é a mesma cousa. -- Que quer então que eu faça, além do que faço? -- Alguma cousa mais certa. Veja o marceneiro da esquina, o homem do armarinho, o tipógrafo que casou sábado, todos têm um emprego certo... Não fique zangado; não digo que você seja vadio, mas a ocupação que escolheu é vaga. Você passa semanas sem vintém. -- Sim, mas lá vem uma noite que compensa tudo, até de sobra. Deus não me abandona, e preto fugido sabe que comigo não brinca; quase nenhum resiste, muitos entregam-se logo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Tinha glória nisto, falava da esperança como de capital seguro. Daí a pouco ria, e fazia rir à tia, que era naturalmente alegre, e previa uma patuscada no batizado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Cândido Neves perdera já o ofício de entalhador, como abrira mão de outros muitos, melhores ou piores. Pegar escravos fugidos trouxe-lhe um encanto novo. Não obrigava a estar longas horas sentado. Só exigia força, olho vivo, paciência, coragem e um pedaço de corda. Cândido Neves lia os anúncios, copiava-os, metia-os no bolso e saía às pesquisas. Tinha boa memória. Fixados os sinais e os costumes de um escravo fugido, gastava pouco tempo em achá-lo, segurá-lo, amarrá-lo e levá-lo. A força era muita, a agilidade também. Mais de uma vez, a uma esquina, conversando de cousas remotas, via passar um escravo como os outros, e descobria logo que ia fugido, quem era, o nome, o dono, a casa deste e a gratificação; interrompia a conversa e ia atrás do vicioso. Não o apanhava logo, espreitava lugar azado, e de um salto tinha a gratificação nas mãos. Nem sempre saía sem sangue, as unhas e os dentes do outro trabalhavam, mas geralmente ele os vencia sem o menor arranhão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Um dia os lucros entraram a escassear. Os escravos fugidos não vinham já, como dantes, meter-se nas mãos de Cândido Neves. Havia mãos novas e hábeis. Como o negócio crescesse, mais de um desempregado pegou em si e numa corda, foi aos jornais, copiou anúncios e deitou-se à caçada. No próprio bairro havia mais de um competidor. Quer dizer que as dívidas de Cândido Neves começaram de subir, sem aqueles pagamentos prontos ou quase prontos dos primeiros tempos. A vida fez-se difícil e dura. Comia-se fiado e mal; comia-se tarde. O senhorio mandava pelo aluguéis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Clara não tinha sequer tempo de remendar a roupa ao marido, tanta era a necessidade de coser para fora. Tia Mônica ajudava a sobrinha, naturalmente. Quando ele chegava à tarde, via-se-lhe pela cara que não trazia vintém. Jantava e saía outra vez, à cata de algum fugido. Já lhe sucedia, ainda que raro, enganar-se de pessoa, e pegar em escravo fiel que ia a serviço de seu senhor; tal era a cegueira da necessidade. Certa vez capturou um preto livre; desfez-se em desculpas, mas recebeu grande soma de murros que lhe deram os parentes do homem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--É o que lhe faltava! exclamou a tia Mônica, ao vê-lo entrar, e depois de ouvir narrar o equívoco e suas conseqüências. Deixe-se disso, Candinho; procure outra vida, outro emprego.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Cândido quisera efetivamente fazer outra cousa, não pela razão do conselho, mas por simples gosto de trocar de ofício; seria um modo de mudar de pele ou de pessoa. O pior é que não achava à mão negócio que aprendesse depressa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;A natureza ia andando, o feto crescia, até fazer-se pesado à mãe, antes de nascer. Chegou o oitavo mês, mês de angústias e necessidades, menos ainda que o nono, cuja narração dispenso também. Melhor é dizer somente os seus efeitos. Não podiam ser mais amargos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--Não, tia Mônica! bradou Candinho, recusando um conselho que me custa escrever, quanto mais ao pai ouvi-lo. Isso nunca!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Foi na última semana do derradeiro mês que a tia Mônica deu ao casal o conselho de levar a criança que nascesse à Roda dos enjeitados. Em verdade, não podia haver palavra mais dura de tolerar a dous jovens pais que espreitavam a criança, para beijá-la, guardá-la, vê-la rir, crescer, engordar, pular... Enjeitar quê? enjeitar como? Candinho arregalou os olhos para a tia, e acabou dando um murro na mesa de jantar. A mesa, que era velha e desconjuntada, esteve quase a se desfazer inteiramente. Clara interveio. --Titia não fala por mal, Candinho. --Por mal? replicou tia Mônica. Por mal ou por bem, seja o que for, digo que é o melhor que vocês podem fazer. Vocês devem tudo; a carne e o feijão vão faltando. Se não aparecer algum dinheiro, como é que a família há de aumentar? E depois, há tempo; mais tarde, quando o senhor tiver a vida mais segura, os filhos que vierem serão recebidos com o mesmo cuidado que este ou maior. Este será bem criado, sem lhe faltar nada. Pois então a Roda é alguma praia ou monturo? Lá não se mata ninguém, ninguém morre à toa, enquanto que aqui é certo morrer, se viver à míngua. Enfim...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Tia Mônica terminou a frase com um gesto de ombros, deu as costas e foi meter-se na alcova. Tinha já insinuado aquela solução, mas era a primeira vez que o fazia com tal franqueza e calor,-- crueldade, se preferes. Clara estendeu a mão ao marido, como a amparar-lhe o ânimo; Cândido Neves fez uma careta, e chamou maluca à tia, em voz baixa. A ternura dos dous foi interrompida por alguém que batia à porta da rua.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--Quem é? perguntou o marido. --Sou eu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Era o dono da casa, credor de três meses de aluguel, que vinha em pessoa ameaçar o inquilino. Este quis que ele entrasse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--Não é preciso... --Faça favor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;O credor entrou e recusou sentar-se, deitou os olhos à mobília para ver se daria algo à penhora; achou que pouco. Vinha receber os aluguéis vencidos, não podia esperar mais; se dentro de cinco dias não fosse pago, pô-lo-ia na rua. Não havia trabalhado para regalo dos outros. Ao vê-lo, ninguém diria que era proprietário; mas a palavra supria o que faltava ao gesto, e o pobre Cândido Neves preferiu calar a retorquir. Fez uma inclinação de promessa e súplica ao mesmo tempo. O dono da casa não cedeu mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--Cinco dias ou rua! repetiu, metendo a mão no ferrolho da porta e saindo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Candinho saiu por outro lado. Nesses lances não chegava nunca ao desespero, contava com algum empréstimo, não sabia como nem onde, mas contava. Demais, recorreu aos anúncios. Achou vários, alguns já velhos, mas em vão os buscava desde muito. Gastou algumas horas sem proveito, e tornou para casa. Ao fim de quatro dias, não achou recursos; lançou mão de empenhos, foi a pessoas amigas do proprietário, não alcançando mais que a ordem de mudança. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;A situação era aguda. Não achavam casa, nem contavam com pessoa que lhes emprestasse alguma; era ir para a rua. Não contavam com a tia. Tia Mônica teve arte de alcançar aposento para os três em casa de uma senhora velha e rica, que lhe prometeu emprestar os quartos baixos da casa, ao fundo da cocheira, para os lados de um pátio. Teve ainda a arte maior de não dizer nada aos dous, para que Cândido Neves, no desespero da crise começasse por enjeitar o filho e acabasse alcançando algum meio seguro e regular de obter dinheiro; emendar a vida, em suma. Ouvia as queixas de Clara, sem as repetir, é certo, mas sem as consolar. No dia em que fossem obrigados a deixar a casa, fá-los-ia espantar com a notícia do obséquio e iriam dormir melhor do que cuidassem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Assim sucedeu. Postos fora da casa, passaram ao aposento de favor, e dous dias depois nasceu a criança. A alegria do pai foi enorme, e a tristeza também. Tia Mônica insistiu em dar a criança à Roda. "Se você não a quer levar, deixe isso comigo; eu vou à Rua dos Barbonos." Cândido Neves pediu que não, que esperasse, que ele mesmo a levaria. Notai que era um menino, e que ambos os pais desejavam justamente este sexo. Mal lhe deram algum leite; mas, como chovesse à noite, assentou o pai levá-lo à Roda na noite seguinte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Naquela reviu todas as suas notas de escravos fugidos . As gratificações pela maior parte eram promessas; algumas traziam a soma escrita e escassa. Uma, porém, subia a cem mil-réis. Tratava-se de uma mulata; vinham indicações de gesto e de vestido. Cândido Neves andara a pesquisá-la sem melhor fortuna, e abrira mão do negócio; imaginou que algum amante da escrava a houvesse recolhido. Agora, porém, a vista nova da quantia e a necessidade dela animaram Cândido Neves a fazer um grande esforço derradeiro. Saiu de manhã a ver e indagar pela Rua e Largo da Carioca, Rua do Parto e da Ajuda, onde ela parecia andar, segundo o anúncio. Não a achou; apenas um farmacêutico da Rua da Ajuda se lembrava de ter vendido uma onça de qualquer droga, três dias antes, à pessoa que tinha os sinais indicados. Cândido Neves parecia falar como dono da escrava, e agradeceu cortesmente a notícia. Não foi mais feliz com outros fugidos de gratificação incerta ou barata.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Voltou para a triste casa que lhe haviam emprestado. Tia Mônica arranjara de si mesma a dieta para a recente mãe, e tinha já o menino para ser levado à Roda. O pai, não obstante o acordo feito, mal pôde esconder a dor do espetáculo. Não quis comer o que tia Mônica lhe guardara; não tinha fome, disse, e era verdade. Cogitou mil modos de ficar com o filho; nenhum prestava. Não podia esquecer o próprio albergue em que vivia. Consultou a mulher, que se mostrou resignada. Tia Mônica pintara-lhe a criação do menino; seria maior a miséria, podendo suceder que o filho achasse a morte sem recurso. Cândido Neves foi obrigado a cumprir a promessa; pediu à mulher que desse ao filho o resto do leite que ele beberia da mãe. Assim se fez; o pequeno adormeceu, o pai pegou dele, e saiu na direção da Rua dos Barbonos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Que pensasse mais de uma vez em voltar para casa com ele, é certo; não menos certo é que o agasalhava muito, que o beijava, que cobria o rosto para preservá-lo do sereno. Ao entrar na Rua da Guarda Velha, Cândido Neves começou a afrouxar o passo. --Hei de entregá-lo o mais tarde que puder, murmurou ele. Mas não sendo a rua infinita ou sequer longa, viria a acabá-la; foi então que lhe ocorreu entrar por um dos becos que ligavam aquela à Rua da Ajuda. Chegou ao fim do beco e, indo a dobrar à direita, na direção do Largo da Ajuda, viu do lado oposto um vulto de mulher; era a mulata fugida. Não dou aqui a comoção de Cândido Neves por não podê-lo fazer com a intensidade real. Um adjetivo basta; digamos enorme. Descendo a mulher, desceu ele também; a poucos passos estava a farmácia onde obtivera a informação, que referi acima. Entrou, achou o farmacêutico, pediu-lhe a fineza de guardar a criança por um instante; viria buscá-la sem falta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--Mas...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Cândido Neves não lhe deu tempo de dizer nada; saiu rápido, atravessou a rua, até ao ponto em que pudesse pegar a mulher sem dar alarma. No extremo da rua, quando ela ia a descer a de S. José, Cândido Neves aproximou-se dela. Era a mesma, era a mulata fujona. --Arminda! bradou, conforme a nomeava o anúncio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Arminda voltou-se sem cuidar malícia. Foi só quando ele, tendo tirado o pedaço de corda da algibeira, pegou dos braços da escrava, que ela compreendeu e quis fugir. Era já impossível. Cândido Neves, com as mãos robustas, atava-lhe os pulsos e dizia que andasse. A escrava quis gritar, parece que chegou a soltar alguma voz mais alta que de costume, mas entendeu logo que ninguém viria libertá-la, ao contrário. Pediu então que a soltasse pelo amor de Deus.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--Estou grávida, meu senhor! exclamou. Se Vossa Senhoria tem algum filho, peço-lhe por amor dele que me solte; eu serei tua escrava, vou servi-lo pelo tempo que quiser. Me solte, meu senhor moço! -- Siga! repetiu Cândido Neves. --Me solte! --Não quero demoras; siga!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Houve aqui luta, porque a escrava, gemendo, arrastava-se a si e ao filho. Quem passava ou estava à porta de uma loja, compreendia o que era e naturalmente não acudia. Arminda ia alegando que o senhor era muito mau, e provavelmente a castigaria com açoutes,--cousa que, no estado em que ela estava, seria pior de sentir. Com certeza, ele lhe mandaria dar açoutes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--Você é que tem culpa. Quem lhe manda fazer filhos e fugir depois? perguntou Cândido Neves.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Não estava em maré de riso, por causa do filho que lá ficara na farmácia, à espera dele. Também é certo que não costumava dizer grandes cousas. Foi arrastando a escrava pela Rua dos Ourives, em direção à da Alfândega, onde residia o senhor. Na esquina desta a luta cresceu; a escrava pôs os pés à parede, recuou com grande esforço, inutilmente. O que alcançou foi, apesar de ser a casa próxima, gastar mais tempo em lá chegar do que devera. Chegou, enfim, arrastada, desesperada, arquejando. Ainda ali ajoelhou-se, mas em vão. O senhor estava em casa, acudiu ao chamado e ao rumor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--Aqui está a fujona, disse Cândido Neves. -- É ela mesma. --Meu senhor! --Anda, entra...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Arminda caiu no corredor. Ali mesmo o senhor da escrava abriu a carteira e tirou os cem mil-réis de gratificação. Cândido Neves guardou as duas notas de cinqüenta mil-réis, enquanto o senhor novamente dizia à escrava que entrasse. No chão, onde jazia, levada do medo e da dor, e após algum tempo de luta a escrava abortou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;O fruto de algum tempo entrou sem vida neste mundo, entre os gemidos da mãe e os gestos de desespero do dono. Cândido Neves viu todo esse espetáculo. Não sabia que horas eram. Quaisquer que fossem, urgia correr à Rua da Ajuda, e foi o que ele fez sem querer conhecer as conseqüências do desastre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;Quando lá chegou, viu o farmacêutico sozinho, sem o filho que lhe entregara. Quis esganá-lo. Felizmente, o farmacêutico explicou tudo a tempo; o menino estava lá dentro com a família, e ambos entraram. O pai recebeu o filho com a mesma fúria com que pegara a escrava fujona de há pouco, fúria diversa, naturalmente, fúria de amor. Agradeceu depressa e mal, e saiu às carreiras, não para a Roda dos enjeitados, mas para a casa de empréstimo com o filho e os cem mil-réis de gratificação. Tia Mônica, ouvida a explicação, perdoou a volta do pequeno, uma vez que trazia os cem mil-réis. Disse, é verdade, algumas palavras duras contra a escrava, por causa do aborto, além da fuga. Cândido Neves, beijando o filho, entre lágrimas, verdadeiras, abençoava a fuga e não se lhe dava do aborto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"   style="font-family:Georgia;font-size:10;"&gt;--Nem todas as crianças vingam, bateu-lhe o coração.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-7549436848152919554?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/7549436848152919554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=7549436848152919554' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/7549436848152919554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/7549436848152919554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2008/11/pai-contra-me-conto-de-machado-de-assis.html' title='Pai contra Mãe - conto de Machado de Assis (1905)'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_IwK76splDDQ/So8hQvEURzI/AAAAAAAADdQ/fmhUUJBlTas/S220/IMG_8013.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4629585471291149898.post-1851835556315298702</id><published>2008-11-14T12:10:00.000-08:00</published><updated>2008-11-23T10:09:10.090-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='apresentação'/><title type='text'>Era uma vez...</title><content type='html'>Alvito, Bárbara, Camila, Carol, Carolina, Rafael e Taís, sete cidadãos brasileiros que se reuniram pensando em ler e difundir Machado junto a alunos de escolas públicas, usando sua obra como um Machado Vivo para romper o marasmo e mostrar que a leitura é um prazer subversivo, que ajuda a pensar o mundo com a própria cabeça.&lt;br /&gt;No nosso primeiro dia, nos conhecemos, conversamos, fizemos planos mil de conquista do mundo, de frequentar uma oficina de leitura em fevereiro com um bibliotecário com experiência no assunto (da leitura para crianças e jovens) e marcamos outra reunião...&lt;br /&gt;Para ler "Pai contra Mãe", um conto de 1905 que conta a seguinte história...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4629585471291149898-1851835556315298702?l=machadovivo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://machadovivo.blogspot.com/feeds/1851835556315298702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4629585471291149898&amp;postID=1851835556315298702' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/1851835556315298702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4629585471291149898/posts/default/1851835556315298702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://machadovivo.blogspot.com/2008/11/era-uma-vez.html' title='Era uma vez...'/><author><name>Marcos Alvito</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_IwK76splDDQ/So8hQvEURzI/AAAAAAAADdQ/fmhUUJBlTas/S220/IMG_8013.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
